A Galáxia do Rock

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Em entrevista exclusiva, Beto Lee fala sobre a Galaxy, sua banda de rock

Edu Salvitti, Fabrício Gonzales e Beto Lee - Foto: Patricia Cecatti
Edu Salvitti, Fabrício Gonzales e Beto Lee – Foto: Patricia Cecatti

Eles não estão querendo provar nada pra ninguém, nem querem quinze minutos de fama. Estão no meio de um universo musical brasileiro que teima em dizer que o Rock morreu! Que nada, com o Galaxy ele está apenas nascendo de novo, e sem muito blá-blá-blá.
Vindo do mais puro sangue roqueiro brazuca, Beto Lee, vocal e guitarra do Galaxy, fala sobre o power trio e do prazer de se fazer rock and roll do jeito que ele é, do jeito que ele quiser.

As músicas do trio, como “Popstar”, satirizam a fama e seus quinze minutos. O nome Galaxy também vem dessa brincadeira?
Tudo é uma brincadeira! Se você levar a sério aí f… é melhor arrumar outra coisa pra fazer.

A banda se formou durante a turnê “Todo mundo é igual” (2002), álbum de sua carreira solo. Como foi essa decisão de unir-se, novamente, como uma banda? Qual é a diferença entre a responsabilidade principal de um nome único e a coletividade?
Fazer um disco solo foi um aprendizado bacana e me virei aprendendo sozinho dentro do meu estúdio caseiro. Fizemos uns shows como trio, vimos que aquilo tava ganhando força, e de repente a gente tava gravando! Foi bom gravar como banda porque tirou o peso das minhas costas, pois não fui o único responsável pelos aspectos do disco.

A Galaxy surge em um cenário musical paulistano onde a competitividade por espaço é impiedosa e castradora. Isso é mito ou uma realidade grotesca? O que se percebe na relação entre as bandas nos bares e casas de show da capital?
Cara, infelizmente isso acontece, mas acho bacana por um lado as bandas mostrarem seu valor, tocar bem e tal. Dificilmente eu vejo bandas apoiarem de verdade as outras, tipo ouvir o disco e falar num programa de rádio. Eu apoio e dou valor para todas, do punk, hardcore até o metal, glam, poser.

Além de Iggy Pop (referência básica, relendo “No Fun”), quais são as influências do power trio? Até onde as músicas são resultado delas?
Temos pontos em comum, mas cada um na banda tem seus discos estranhos. Todos somos fanáticos por Led Zeppelin, mas eu gosto de Erasmo, o Gonza curte umas bandas de Britpop e o Edu escuta jazz e motown! As músicas sempre serão um resultado das nossas influências.

O CD da banda, lançado em 2004 pela Astronauta Discos, tem tido um bom retorno do público? Onde se pode encontrá-lo por aí?
Nas lojas virtuais da vida, tipo FNAC, Submarino e Som livre. No site da Tratore, nossa distribuidora, tem uma lista de todas as lojas do Brasil que compraram nossa bolacha.

O primeiro CD da Galaxy, lançado em 2004
O primeiro CD da Galaxy, lançado em 2004

Em “Todo mundo é igual”, você “roqueou” Fuscão Preto (sucesso caipira de Atílio e Jeca Mineiro), e com o Galaxy transformou “Agora ninguém chora mais”, de Jorge Benjor. Porque a escolha dessas músicas? O rock consegue ligar-se a qualquer outro estilo?
Fizemos uma versão pra essas músicas sem marketing, sacou? Sempre gostei de Fuscão e de Benjor, então porque não?

Quem faz a letra e/ou a música no Galaxy?
Todos chegam com riffs, arranjos, letras e vamos arrumando tudo. Gonzales e Edu Salvitti tiveram boas ideias pro disco.

No “Todo mundo é igual” e no “Galaxy” há duas parcerias suas com sua mãe, Rita Lee. Sem contar a relação genética, é uma grande responsabilidade musicar letras de uma grande compositora do meio musical? E com Roberto, já pensou em “parcerizar” com o pai?
Foi tranquilo. Meu velho vai participar do próximo.

A independência (em todos os sentidos) é, desde o começo, marca firmada da banda, do conteúdo criativo à “falta” de uma grande gravadora. Apesar de serem as estrelas da Astronauta, vocês pretendem continuar assim? Se pintar um contrato maior vocês aceitam na boa?
Estamos contentes com a Astronauta, por ter sido a única que acreditou no trampo da banda. Respeitamos muito os caras por terem ficado do nosso lado e nossa relação é muito boa. Eles sabem que se um dia uma proposta melhor chegar, a nossa amizade não vai mudar, afinal é bom pra eles também, certo?

Já pagaram ou pagariam jabá? O que acham dessa roubalheira injusta da arte?
O filho da p… que criou o jabá deveria morrer apedrejado pelos músicos.

Você já foi integrante da Abril Music, uma das grandes gravadoras nacionais da época. Qual é a diferença em ser um “contratado” e um independente?
A mesma m… Pelo menos para mim foi assim. A única diferença é que na Abril eu tirei foto com o presidente segurando uma taça de vinho na mão.

E o futuro da Galaxy? Já pensam em novos trabalhos?
Daqui a pouco tem pãozinho novo saindo do forno! Fiquem ligados!

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