Catedral pede pela paz e relembra Elvis e Quintana em novo CD

Comemorando vinte anos de carreira, a banda carioca Catedral está lançando seu 21º CD. Em Enquanto o sol brilhar, Kim Motta (vocais, violão e guitarra), Júlio Motta (baixo) e Guilherme Morgado (bateria) apresentam 14 canções que, em linhas gerais, evocam a esperança do povo brasileiro por dias melhores, sem deixar de lado o romantismo, tema decorrente ao longo da trajetória do grupo.

A crítica social é um dos temas centrais deste novo álbum, o terceiro lançado pelo selo New Music. Quatro faixas propõem reflexões distintas sobre problemas presentes no cotidiano, como a violência, a falta de escrúpulos, a fome e a incerteza (em O que vamos fazer? e O botão do elevador), além da ironia sobre a possível existência de um país perfeito (em Viva o povo brasileiro!) e necessidades de uma nação que acaba por aceitar, calada, o que lhe é imposto pelos governantes (em Pão e circo).

Quintana, Elvis, Chico César: diversidade de gêneros e, ao mesmo tempo, coesão

Abrindo o álbum, um poema de Mário Quintana (1906-1994) serviu como fonte de inspiração para a construção de Enquanto o sol brilhar, adaptação de Canção do dia de sempre: “Mas o amor prevalecerá / enquanto o sol brilhar / e o dia amanhecer / eu sei que o meu querer será sempre você”.

O trio presta uma homenagem ao Rei do Rock, Elvis Presley, uma das referências musicais do vocalista Kim. No ano do trigésimo aniversário da morte de Elvis – que partiu em 16 de agosto de 1977 – o grupo relê a balada Flaming star, tema do filme homônimo estrelado por Elvis Presley em 1960 (conhecido no Brasil como Estrela de fogo).

A segunda regravação é uma obra da safra do paraibano Chico César: Templo, que neste Enquanto o sol brilhar surge em uma versão gravada em 2003, e que conta com as participações de Tutuca Borba (Teclados, pianos e cordas), Lui Coimbra (Violoncelo), Carlos Trilha (Cordas) e César (Guitarra base e solo), irmão de Kim e Júlio falecido no mesmo ano.

Mas, como não poderia deixar de ser, o amor é a tônica deste trabalho, onde a sonoridade passeia entre o rock, o pop e a moderna MPB (presentes em Amar você, Um e-mail, Amnésia, Estrelas do amanhã , Não tenho medo e Meu amor primeiro). Até mesmo a cidade de São Paulo é reverenciada por Kim e Júlio, autores de 12 composições do CD, em Sampa a dois, uma apaixonada homenagem da banda à maior metrópole do país. Confira.