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Curando todos os males

Em entrevista ao Música e Letra, Fernanda Takai, do Pato Fu, fala sobre o novo álbum

Os maiores malefícios do homem, a pior bactéria, a virtuose de uma virose, nada está extremamente contaminado para ser incurável. A receita? Uma dose impagável de bom humor e criatividade lapidada pela mineirinha Pato Fu (sem acento 😉 trazendo para as prateleiras musicais seu mais novo e maduro trabalho “Toda cura para todo mal”. Um álbum leve e profundo, divertindo seriamente com doses homeopáticas de letras que trazem inteiramente a explicação do convívio social. Efetivando efeitos criados de vozes e cordas, nada enjoadamente sofisticado, nem simplesmente medíocre. No talo!
Dedicada à família musical e genética, Fernanda Takai, em entrevista ao Música e Letra, conta como é misturar a vida caseira com a des-rotina na estrada, entre fraldas e “lálálás”.

Música e Letra Pra começar: qual é a grande diferença em fazer músicas antes e depois da experiência materna? Você chegou a compor grávida? Há uma inspiração especial?
Fernanda Takai Engraçado que apesar deste ser o álbum em que mais participei cantando e dando palpites nos arranjos, não há composição minha. Acho que perdi o início do processo mais vigoroso porque estava justamente cuidando mais de minha vida de grávida. Quando fui ouvir as coisas que John tinha escrito, percebi que já tínhamos um material muito bom. Dei algumas sugestões de melodia e palavras que mais se adequavam à minha maneira de cantar e já fiquei satisfeita. O fato de sermos pais é algo maravilhoso, mas sinceramente não acho que vá influir no nosso modo de escrever as letras e músicas. Se algo passa pra elas é mais subjetivo e se mistura a tudo mais que faz parte de nossa vida.

Música e Letra Falando em família, como é juntar o trabalho e a vida íntima de uma união amorosa com John, entre os palcos e estúdios e as trocas de fraldas em casa?
Fernanda Takai A gente tem feito isso há tanto tempo… Estamos casados há quase 10 anos e a banda tem 13. Nina vai fazer dois anos em outubro e a gente se reveza muito em todas as tarefas. John tem estado em estúdio produzindo outras coisas, mas quando não estamos viajando e temos tempo livre, ele faz questão de cuidar da Nina. Felizmente ele é do tipo pai com iniciativa própria, não precisa que eu peça ajuda. Ele se oferece.

Música e Letra Em todas as bandas, como em todas as famílias, sempre há um certo desarranjo de opiniões, principalmente pelas várias influências e gostos, o que leva finalmente a formula final das canções. O Pato Fu tem também suas crises?
Fernanda Takai Hoje somos cinco músicos e cada um tem sua bagagem cultural. Acho que nossa banda reflete justamente essa diversidade. Sim, às vezes discutimos muito até chegarmos a uma forma final, mas isso é muito bom pra manter a banda arejada e os integrantes satisfeitos com o resultado que sai no disco e é transposto para as turnês.

Música e Letra A entrada de Lulu Camargo na banda – desde o MTV ao vivo – é só para acompanhamento nas turnês ou é realmente definitivo? Houve um descobrimento da falta de um piano/teclado para complementar a musicalidade da banda?
Fernanda Takai Descobrimos que além de uma admiração mútua, a participação do Lulu na banda foi muito produtiva. Ampliamos o espectro de sonoridades. Antes John programava os teclados, agora temos um pianista de verdade. O Lulu é músico mesmo, de formação acadêmica e tem um bom gosto e bom humor incríveis. Ele ficará enquanto quiser fazer parte da banda, pois não temos intenção nenhuma de voltar ao que era antes. Aliás, eu digo que em todas as outras bandas, as pessoas estão sempre saindo, mudando de integrante. No Pato Fu não sai ninguém, só entra!

Música e Letra Os custos de uma gravação, independente (ou não), já são considerados possíveis para um começo, lançando uma nova era de artistas que podem, financeiramente falando, começar sua carreira mais cedo, sem contratos nem papos demais. Isso também ocorreu com o Pato Fu? Como foram as gravações e os custos do primeiro “demo” da banda?
Fernanda Takai A gente já tinha passado por isso no início, gravamos a demo em K7 com nossas próprias economias e nosso primeiro vinil, lançado em 1993 pelo selo independente Cogumelo, aqui de Belo Horizonte, teve o orçamento total de 500 dólares! A demo foi gravada em gravador caseiro mesmo. Usávamos uma mesa de quatro canais pra ensaiar, pois não havia baterista, era tudo programado. Daí, colocamos um mix de vozes num canal, baixo, violão e guitarra noutro e os “japs” somando-se a isso tudo. Reproduzimos umas 100 cópias k7 naqueles aparelhinhos double-deck…

Música e Letra Antes do sucesso das canções próprias, o que o Pato Fu costumava “covear”?
Fernanda Takai A gente nunca fez cover, tocando igualzinho. Sempre fizemos versões que não eram de músicas de sucesso “de barzinho”, vamos dizer assim… Tinha versão de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, “Meet The Flintstones”, “Uncontrollable Urge” (Devo), “Vida de Operário”…

Música e Letra O novo CD da banda traz uma certa “volta” às brincadeiras. “Ruído Rosa”, um disco mais profundo, com temas mais filosóficos, digamos, onde vocês diziam ter encontrado um certo caminho por onde iriam percorrer, diferencia-se de Toda cura para todo o mal, que já pelo título percebe-se uma maior irreverência, encontrada também em músicas como “UhUhUh, Lalala, Ié Ié!”. O Pato Fu é culpado por esta volta, julgando-se um Réu confesso do humor? De onde surgem as mudanças entre um disco e outro, retomando, às vezes, percepções de trabalhos anteriores?
Fernanda Takai Acredito que temos esses temas em todos os discos, mas em alguns deles, conseguimos desenvolvê-los de forma mais eficiente que em outros. Há canções divertidas no “Ruído Rosa”, mas as músicas mais “sérias” foram mais bem acabadas. Nosso oitavo álbum traz letras sérias e introspectivas também, mas o formato de todas elas teve mais tempo pra ser polido. A gente foi bem cri-cri nesse ponto. Teve música como “Agridoce”, que tínhamos considerado pronta e depois de um ano, resolvemos mudar o arranjo de novo e isso só foi possível porque o estúdio era nosso, o produtor era um membro da banda e o cronograma estava sendo feito por nós mesmos. Todo disco é uma evolução de cada etapa em nossa carreira. Se alguém ouvir o primeiro e o último vai pescar o fio da meada mesmo assim.

Música e Letra Vocês já lançaram um DVD contendo apenas clipes da banda, onde se soma uma interessante quantidade de vídeos, sempre originais e bem elaborados. O novo disco já conta com clipes de várias canções. Vídeo clipes, de custo barato e idéias sofisticadas, teatralizando grande parte do repertório de um CD, é uma certa “tendência” para os novos álbuns dos Fus?
Fernanda Takai Esperamos que sim. Tem muita gente boa que sabe transformar em imagens as nossas músicas. Cada vez mais também é possível se produzir clipes em casa, como gravamos e mixamos nosso próprio disco. Queremos lançar um DVD com os clipes do “Toda Cura Para Todo Mal” e incluir cenas da gravação e mix dele, cenas de estrada e bastidores. Já temos 10 vídeos prontos e todo mês estreamos um no site.

Música e Letra Terminando por aqui… Desejando muita sorte e ainda mais sucesso, deixo a última pergunta… Um novo bebê está nos planos do casal Fu?
Fernanda Takai Muito obrigada! Sim, queremos ter pelo menos mais um bebê. Mas não vai ser de imediato. Precisamos retomar a carreira, lançar mais um disco, fazer bastante show pra poder ter esse privilégio de parar de novo, sem pressões de mercado ou de nós mesmos.

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