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De volta ao Rio, Rita Lee abre a toalha do Pic-nic no Canecão

Já faz algum tempo que Rita Lee, em muitas de suas entrevistas – sempre concedidas por e-mail, prática que adotou para fugir de jornalistas inconvenientes e perguntas de duplo sentido – sinaliza a vontade de deixar de lado a vida corrida dos palcos e de noites mal dormidas em hotéis para curtir a tranquilidade de sua “casinha no mato”, longe da agitação da Paulicéia desvairada, com sua neta, Izabella.

Face à declaração, o que muita gente não esperava é que, após completar 60 anos, em 31 de dezembro de 2007, a cantora e compositora, paulista & carioca, voltasse com toda a força para a estrada, como nos velhos tempos. Desde janeiro, quando estreou o show “Pic-nic” no palco do Canecão Petrobrás, Rita, sempre acompanhada por Roberto de Carvalho, parceiro de vida e música, vêm percorrendo o país com a nova turnê, que neste fim-de-semana voltou ao ponto de partida, para mais duas apresentações.

Em dois dias, sexta (09) e sábado (10), Rita Lee novamente lotou o Canecão, arrastando pessoas de todas as idades. Logo na seqüência da abertura dos trabalhos com a performance da backing Deborah Reis em “Hey Big Spender”, Rita, Roberto e o filho Beto Lee surgem em cena, entre os riffs de guitarras em “Flagra”, que abria a novela “Final Feliz”, em fins de 1982. A partir daí, tudo é só alegria: “Nem luxo, nem lixo” (1980), “Mutante” (1981), “Jardins da Babilônia” (1978). Relembrando a afirmação lá de cima, Rita brinca: “Que bom que vocês vieram me ver, saíram de suas casas, desviando de balas perdidas, perigos, terremotos (…) eu pago pra não sair de casa.”. Reação da plateia: gargalhadas e aplausos, do início ao fim do show.

Rita Lee se diz feliz em estar de volta ao Rio, uma cidade cheia de artistas: “é, porque São Paulo não tem artistas, só a Hebe, o Gugu e a Márcia Goldschmidt” – brinca, saudando a presença de Vera Fischer, Preta Gil, José Wilker, Thiago Mendonça, Leona Cavalli e Susana Vieira, durante o show de sexta-feira. Para Susana, Rita Lee mandou um recado: “ – Branca, se eu fosse você, contratava o casal Nardoni para jogar a Sílvia pela janela, e casava com o (Marconi) Ferraço, para pagar todas as suas dívidas” – brinca, referindo-se às tramas da novela “Duas caras”. Para Carlinhos de Jesus, Rita Lee disse que, agora que é cidadã carioca, precisa aprender a sambar. Na noite seguinte, Rita Lee relembrou a visita dos atores na noite anterior, dizendo: “ontem a Portelinha inteira estava aqui”..

Com painéis luminosos de alta definição, cada música ganha um cenário diferente: “Amor e sexo” (2003), “Orra meu” (1980), “Doce vampiro” (1979), “Ovelha negra” e “Agora só falta você” (1975). Além de Roberto, Beto e Deborah, Rita conta com o auxílio musical (e luxuoso) de Breno Di Napoli (baixo), Edu Salvitti (bateria), Allex Bessa (teclados) e Rita Kfouri (vocal), que, segundo Rita, canta com ela “desde os tempos de Lança perfume” (a cantora está presente no especial “Rita Lee Jones”, exibido pela Rede Globo em 1980 e lançado em DVD há dois anos).

No bis, em clima de catarse coletiva, Rita Lee volta com a mutante “Ando meio desligado” (1970), “Mania de você (1979), “Lança perfume” (1980) e a marchinha “Chiquita Bacana”, fechando a festa com a tradicional chuva de papel picado e clima de carnaval. E é neste momento que todos torcem para que Rita Lee, de fato, nunca coloque em prática o desejo tantas vezes declarado. Salve a Rainha.

Veja mais fotos das duas apresentações de “Pic-nic”:

Rita Lee - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & Letra

Rita Lee - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & Letra

Rita Lee - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & Letra

Rita Lee - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & Letra

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1 comentário

  1. Salve!

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