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Discoteca: Depeche Mode, Songs of Faith and Devotion (Sire Records, 1993)

O Depeche Mode é uma das poucas bandas formadas nos anos 80, que mantiveram o posto entre as mais queridas por público e crítica nos anos 90. Os ingleses Andy Fletcher, Alan Wilder, David Gahan e o gênio Martin Gore nas composições, são os responsáveis por Songs of Faith and Devotion, um dos mais belos discos da década passada, lançado em 1993, reorientando a sonoridade da banda, já marcada pelos teclados e sintetizadores mas desta vez com riffs de guitarra mais evidentes e rasgados como se nota logo na primeira faixa I Feel You – talvez o maior hit do álbum.

Mais do que inovador e longe de estar obsoleto, o álbum é puro feeling. É sofisticado, em todos os aspectos. E forte, e com ares de uma certa escuridão.

A força e a intensidade de I Feel You são sucedidas pelo tom melancólico da inspiradíssima Walking In My Shoes, numa letra desabafada e confessional e refrão marcante.

“Now I’m not looking for absolution
Forgiveness for the things I do
But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes
Try walking in my shoes
You’ll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes
If you try walking in my shoes”

Coro gospel para Condemnation e a voz melodiosa de David Gahan. Ele, que ao lado de Michael Hutchence (do INXS) foi o símbolo sexual de toda uma geração, e estava passando por sérios problemas com drogas – o que quase levou a banda ao fim por várias vezes. Mais guitarras e pedais, e mais uma vez a voz melodiosa de Gahan em Mercy in You, sucedida pela súplica das letras de Judas.

Obscuridade no clima de In Your Room, e a impressão de que em Songs of Faith and Devotion o desespero também pode ser dançado e vibrado. Get Right With Me e a fantástica Rush são infinitamente melhores e mais densas que os experimentos de muita gente “genial” em pleno fim de 2005. À tempo de deliciar-se com a sensibilidade de One Caress e Higher Love, a vontade é de ouvir tudo outra vez.

Ou então, é hora de ouvir a versão ao vivo do álbum, lançada com as faixas na mesma ordem do disco original, apenas seis meses após o lançamento de estúdio. As gravações ocorreram em Copenhagen, Milão, França, New Orleans e Louisiana durante a “Devotional Tour” – que passou pelo Brasil.

Belíssimos videoclipes dirigidos pelo consagrado fotógrafo Anton Corbjin colocaram o Depeche no topo das paradas também na MTV, figurando ao lado do U2 e seu então recém lançado álbum Zooropa, e a continuação de sua turnê Zoo TV, não evitando assim as desnecessárias comparações entre as duas maiores bandas dos anos 1980 ainda na ativa até os anos 1990, e suas turnês. E eis que em 2006, a promessa (que é dívida) é de que Depeche Mode volte à Terra Brasilis. A “devoção” será a mesma, ou ainda maior.

Ficha Técnica:

Produzido por Flood
Engenheiros de som : Steve Lyon, Chris Dickie e Paul Kendall
Banda:
Dave Gahan – Vocais
Martin L. Gore –  guitarras, teclados, vocais e sintetizadores
Alan Wilder – teclados, sintetizadores e bateria programada
Andrew Flitcher – teclados e sintetizadores
Backing Vocals : Bazil Meade, Hildia Cambell, Samantha Smith

Faixas:
I Feel You
Walking In My Shoes
Condemnation
Mercy In You
Judas
In Your Room
Get Right With Me
Rush
One Caress
Higher Love

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