Perfil

Perfil: Maria Bethânia Vianna Telles Velloso

18 de junho de 1946, Santo Amaro da Purificação, BA

Maria Bethânia (2007)

De Santo Amaro da Purificação para o mundo. Esta é Maria Bethânia Vianna Telles Veloso. Desde o nascimento, em 18 de junho de 1946, seu destino já parecia estar cruzado com o futuro da música popular brasileira. Foi seu irmão, Caetano Veloso, que sugeriu aos pais, Zeca e Canô, que lhe dessem o nome da canção Maria Bethânia, do compositor pernambucano Capiba (1904-1997).

A jovem, que veio do interior da Bahia para o Rio de Janeiro acompanhando Caetano, substituiu Nara Leão no show Opinião, na noite de 13 de fevereiro de 1965. Bethânia imediatamente conquistou a todos os que a assistiram, especialmente pela força da interpretação de Carcará, de João do Vale e José Cândido:

Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que homem
Carcará
Pega, mata e come!

Quando menina, Maria Bethânia sonhava em ser atriz. Coincidência ou não, sua estreia em um palco como cantora foi em um espetáculo de teatro: Boca de ouro, de Nelson Rodrigues, em 1963.

Conhecida por sua voz límpida, e munida da mesma coragem de Carcará, Bethânia foi capaz até mesmo de enfrentar a ditadura militar, com toda a calma e diplomacia. No início dos anos 1970, enquanto Caetano Veloso estava exilado em Londres, Maria Bethânia foi até Brasília pedir autorização ao então presidente Emílio Garrastazu Médici, para que Caetano pudesse vir ao Brasil comemorar com a família o aniversário de 40 anos de casamento de Seu Zeca e Dona Canô. E conseguiu.

Na mesma década, produziu discos e shows memoráveis: destaque para Rosa dos Ventos, de 1971, Chico Buarque & Maria Bethânia, em 1975, e Doces Bárbaros, em 1976, juntamente com Caetano, Gilberto Gil e Gal Costa. No mesmo ano, ganha seu primeiro disco de ouro com Pássaro proibido, chegando ao topo das paradas de sucesso com a música Olhos nos Olhos, de Chico Buarque.

Mas a grande explosão de Bethânia ainda estava por vir: em 1978, tornou-se a primeira cantora no Brasil a alcançar a marca de um milhão de cópias vendidas, através do excelente LP Álibi, que trazia, entre outros clássicos, Sonho Meu, de Dona Ivone Lara (interpretada com Gal Costa), Negue, de Lupicínio Rodrigues, Ronda, de Paulo Vanzolini, O meu amor (de Chico Buarque, cantada em duo com Alcione), Explode Coração, de Gonzaguinha, e a faixa-título, de um jovem compositor chamado Djavan. No ano seguinte lança Mel, e ganha o carinhoso apelido de abelha rainha, por causa da faixa-título, autoria de Caetano Veloso.

Em 1981, no lançamento do disco Alteza, Bethânia, então estrela do cast da PolyGram, com a coragem de sempre, responde a um repórter que lhe perguntara qual a razão de não ter gravado nenhuma música de Chico Buarque naquele LP: “Chico me pediu que eu não gravasse nenhuma música dele na PolyGram e eu respeito sua posição”. Motivo: o compositor acabara de sair da mesma gravadora e mantinha com ela uma briga judicial.

Durante a década de 1980 fez discos belíssimos, porém sem alcançar a mesma vendagem de Álibi e Mel. Só em 1993, ao gravar um álbum inteiro dedicado à obra de Roberto e Erasmo Carlos – As canções que você fez pra mim – Bethânia volta ao topo, com um milhão e meio de discos vendidos. O poderoso número encheu os olhos da gravadora, que queria um “volume 2” de Roberto e Erasmo. E ela disse não. Em 1999, causa polêmica ao gravar É o amor, sucesso de Zezé di Camargo e Luciano. A crítica não gostou, por achar que o estilo popular da dupla nada tinha a ver com ela, que respondeu aos críticos no CD seguinte (Diamante verdadeiro – ao vivo), cantando Resposta, de Maysa:

Ninguém pode calar dentro em mim
Essa chama que não vai passar
É mais forte que eu
E não quero dela me afastar
Eu não posso explicar como foi
E como ela veio
E só digo o que penso
Só faço o que gosto
E aquilo que creio
Se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim

A busca por liberdade artística sempre foi uma das brigas de Maria Bethânia. Daí a razão de ter mudado de gravadora com certa frequência a partir de 1995. Até que, em 2002, cansada da imposição de multinacionais (como a EMI e BMG) em cima de seu trabalho, aceita o convite da independente Biscoito Fino e mais uma vez revoluciona o mercado fonográfico do Brasil: torna-se o primeiro nome de peso a trocar uma major por uma indie. Resultado da mudança: Bethânia lança discos feitos do seu jeito, que primam pela qualidade do trabalho, sem pensar em números. Maricotinha ao vivo (2002), Brasileirinho (2004) e Que falta você me faz (2005, dedicado à obra de Vinícius de Moraes), são o fruto desta parceria bem-sucedida entre Bethânia e Biscoito fino, através de seu selo, chamado Quitanda.

No segundo semestre de 2006, em plena crise do mercado fonográfico, Maria Bethânia lança simultaneamente dois álbuns: Mar de Sophia e Pirata, também pela Biscoito Fino, e repete a dose em 2009, com Encanteria e Tua.

Número 1 da música brasileira, Maria Bethânia, mulher com alma de menina e voz de vulcão, é a representação perfeita do povo brasileiro, que não desiste nunca. É força que nunca seca.

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12 comentários

  1. Bethania é só o máximo; ela é o som,a voz e a ternura.

  2. Manoel Bello diz:

    Estou frustrado porque a minha Rainha virá a Belo Horizonte no princípio de abril e já não conseguimos mais ingresso, nem eu nem minha mulher.Logo esse ano que seria o meu presente de aniversário, mas não conseguimos. Vamos correr atrás!!!!!!

  3. Bethania é um sucesso… Sempre vai ser… Ela e seu irmão, o Caetano…
    Sou fã dos dois!!!!
    Eles são ternura pura e sinceridade!!!!!!!

  4. bethania é td isso e mais alguma coisa divina,doce,altiva,voz pura sem igual

  5. jorge santiago diz:

    Bethânia chegou ao máximo que uma artista de música conseguiu chegar no Brasil.
    Alia talento, liberdade, senso estético e um discernimento raro entre seus pares.
    Não é a toa que, espontaneamente, chegou ao posto de DIVA da MPB.

  6. Nelson Brolese diz:

    Bethânia é diva, rainha, mãe e maestrina. Qualquer um que cante, homem ou mulher, deve sonhar em cantar como ela.

  7. marta lucena diz:

    maria betânia, tem uma voz única inconfundível, é dom de Deus.
    canta o amor, ela é puro amor…

  8. Ela é a Muito Linda!
    Simplismente Linda!
    Adoro suas entrevistas, são inteligentes.
    Para que fã conhece cada soneto e poesia dessa mulher incrivel!
    Te Amo Betha!
    Ivo Stos Oliveira Rios….
    São Paulo

  9. idelma capistrano diz:

    Maria Bethania, voz de uma Mulher Sagrada

  10. Valeria Vila Nova diz:

    Maria Bethania é simplismente maravilhosa. Suas musicas tem uma poesia unica, capaz de transformar tudo no amor mais sublime. Bethania voce é tudo de mais incrivel que existe. Beijos te amo!
    Valeria Vila Nova
    Recife – PE

  11. Salvatore Marras diz:

    Todos os dias gosto de ouvir qualquer coisa de Bethania, mitica, interpretaçoes intensas o dramaticas, parecen queimando nos nossos interiores…obrigado Bethania, musica è voce

  12. Mariano Fesa diz:

    Si me preguntan cual es mi cantante favorita sin duda para mi es Maria Bethania-es unica-su interpretacion su voz su personalidad su inteligencia Mi sueño es ver su show en vivo….despues puedo morir en paz.

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