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Rajar: rock brasileiro com pitada grunge

Tiago Martins (guitarra), Eliza Schinner (baixo), Ronaldo Rajar (voz e violão) e Bruno Castro (bateria)
Tiago Martins (guitarra), Eliza Schinner (baixo), Ronaldo Rajar (voz e violão) e Bruno Castro (bateria)

Há seis anos na estrada, a banda capixaba Rajar lança seu terceiro CD, “Olha o sol”. Formada por Ronaldo Rajar (voz e violão), Tiago Martins (guitarra), Eliza Schinner (baixo) e Bruno Castro (bateria), o disco, lançado pela Izzi Music, é econômico na quantidade de faixas: 11. Um álbum saboroso, coeso do início ao fim, que segue a linha “menos é mais”: quantidade reduzida, qualidade reforçada.

Abrindo os trabalhos, um country – isso mesmo: um country! – chamado “Monstrinho” (assista abaixo). Na sequência, uma levada de canções pop simplesmente arrebatadoras: “7471” (com seu refrão-pergunta: “por que não podemos ser 2?”), ‘Coisa de menina”, “Volto logo”, “Portões”, “Dummer”, “Sem o sol, sem você”, “Volto logo”. É ouvir e cantar junto.

Apesar de apostar em repertório próprio, a Rajar também faz uma (surpreendente) releitura de “Não vá embora”, hit de Marisa Monte e Arnaldo Antunes, lançado pela cantora em 2000, no álbum “Memórias, crônicas e declarações de amor. Nesta versão, a canção tomou novos rumos: a levada mais lenta de Marisa deu lugar a uma batida mais acelerada. Um caso típico de regravação que ganha nova vida em outras vozes – mais ou menos como o RPM fez com “London, London” e “Flores astrais” em 1986, tomando para si as canções de Caetano Veloso e do Secos & Molhados, respectivamente. Perdeu, Marisa: sua música virou patrimônio Rajar.

Os músicos estão por aí faz algum tempo. Este ano, em maio, abriram o show do Roxette, no Rio de Janeiro, e fizeram bonito: não é qualquer um que consegue aquecer a plateia e segurar a ansiedade de uma casa de shows lotada (nota: eu estava lá e conferi de perto). Boa parte das faixas levam a assinatura do bandleader Ronaldo Rajar, que, além de ser um bom letrista, se revela um excelente vocalista. No país das cantoras – e carente de vozes masculinas – seu timbre é uma grata surpresa.

“Olha o sol…” foi concebido na Toca do Bandido, lendário estúdio de Tom Capone (1966-2004), com produção de Ézio Filho (músico que há tempos acompanha Zélia Duncan), e co-produzido e mixado por Jack Endino. Pra quem não está ligando o nome a pessoa, é dele a produção de “Bleach” (1989), primeiro álbum do Nirvana, além de trabalhos do Soundgarden, Bruce Dickinson e também de discos dos (nossos) Titãs: “Titanomaquia” (1993), “Domingo” (1995), “As dez mais” (1999), “A melhor banda de todos os tempos da última semana” (2001) e “MTV ao vivo” (2005). Será que vem daí um certo toque grunge presente no disco?

Talvez sim, talvez não: não importa. O que vale é que, há muitos anos no Brasil, não surge uma banda de rock de conteúdo, que vá além da estética visual. Rajar: seja bem-vinda!

Confira o clip de “Monstrinho”:

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