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Temos todo o tempo do mundo. Temos nosso próprio tempo.

Onde você estava em 11 de outubro de 1996?

Pergunta difícil, não? se já é complicado lembrar de coisas que aconteceram anteontem, ou na semana passada, que dirá então há dez anos.

Hoje faz dez anos que Renato Russo partiu, e aquele dia 11 de outubro ainda está vivo na minha memória. Ainda lembro bem daquela sexta-feira de sol forte e céu azul: eu trabalhava circulando por todo o Rio de Janeiro, e comecei a observar que, em todos os lugares que passava, os rádios que estavam ligados tocavam músicas da Legião Urbana e, principalmente, os hits italianos cantados por Renato Russo: Strani Amori e La Solitudine, do CD Equilibrio Distante, lançado um ano antes.

Foi aí que me dei conta de que algo estranho estava acontecendo. Naquele tempo, celular ainda era artigo de luxo, portanto a comunicação na rua era meio precária. Até que resolvi parar em frente a uma loja do Ponto Frio e vi na TV, no Jornal Hoje: Morre Renato Russo.

O Brasil, que nos últimos anos vinha de uma série de comoções decorentes de perdas precoces (Cazuza, Ayrton Senna, os meninos do Mamonas etc) chorava a morte de um mito. A voz de uma geração. Lembro principalmente de uma amiga que trabalhava comigo, a Ellen, fã de Renato e da Legião, que chorou durante todo aquele dia.

Hoje, uma década depois, penso no quanto o mundo mudou. A moda, a música, a cultura, os costumes, os recursos tecnológicos. Por exemplo: se você perguntasse a alguém em 1996 o que era um blog, certamente a resposta seria a mesma que o homem do café de Hill Valley diz a Marty McFly (Michael J. Fox) no filme “De volta para o futuro”, quando ele, em 1955, entra no bar e pede um Refrigerante dietético: “Isso não existe, garoto”!

Em contrapartida, reflito no quanto certas coisas que Renato cantou permanecem atuais, como por exemplo a crítica social de Que país é esse , escrita em 1978:

“Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?”

Hoje, a música de Renato – e da Legião Urbana – continua aí, viva, presente nos corações das pessoas, sejam as que viveram aquele tempo (como eu), seja por uma galera mais nova, que não pôde ver os clipes da Legião no Fantástico, ou ouvir Faroeste Caboclo na sua versão censurada – um resquício dos últimos suspiros da Censura no Brasil. Uma outra geração que, semelhante a tantas outras que não viveram os tempos de Beatles, Rolling Stones e Mutantes, também se interessa em descobrir verdadeiras pérolas, como Quase sem querer, Há tempos e Pais e filhos.

Viva Renato Russo. Viva a Legião Urbana.

Ah! e se você ainda lembrar daquele distante se lembrar daquele 11/10/96, conte, por favor.

3 Comments

  1. Bárbara Campos

    Eu tinha 14 anos. Nesse dia estava na casa de uma vizinha, muito querida, organizando os doces que seriam distribuídos na festa do Dia das Crianças. Lembro que várias pessoas estavam na sala assistindo a TV e, de repente, a notícia do falecimento de Renato Russo. Todos ficaram muito tristes. Bom, essa foi a cena que me veio à cabeça.

    Uma perda irreparável para a música e para todos aqueles que o admiravam como artista e pessoa.
    Viva Renato Russo e Legião Urbana!!!

  2. drisana

    adorei! quando Renato Russo faleceu, eu tinha apenas 2anos ,não me lembro de nada sempre quis saber que dia e a causa da morte do Renato Russo.

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