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Verônica Sabino é demais!

Lá pelos idos de 1986, quando eu era criança pequena lá em Barbacena surgiu, na trilha da segunda versão da novela “Selva de Pedra”, uma voz doce e, ao mesmo tempo forte, cantando versos que embalavam as venturas e desventuras do casal Cristiano Vilhena (Tony Ramos) e Simone Marques (Fernanda Torres).

A voz era de uma jovem cantora chamada Verônica Sabino, entoando uma versão de uma canção dos Beatles chamada Yes It Is que, sob as mãos do latino americano Zé Rodrix e do cartunista Miguel Paiva, virou Demais.

Quando se tem seis, sete, oito anos de idade (como eu tinha em 1986), certas coisas ficam tão marcadas na lembrança (vivo falando disso aqui no blog), que não saem nem a base de lavagem cerebral. E foi justamente o que aconteceu (na minha vida) com a música e com a novela.

Se Simone Marques está feliz, a música toca. Se está triste, a música toca. Uma regra que é impossível ser esquecida.

Enfim: em um determinado capítulo, o carro de Simone – um Chevette vinho – cai em uma ribanceira da estrada Rio-Petrópolis e, teoricamente, a mocinha da novela morre (nesse caso, ela se salva e volta, tempos depois, assumindo o lugar de sua irmã gêmea, Rosana Reis – e essa sim tinha morrido), tudo para confundir a cabeça do ex-tocador de bumbo e todo-poderoso de um estaleiro.

Moral da história: a música de Verônica ficou com a cara da novela, tal qual Rock and Roll Lullaby, de B.J. Thomas, ficou vinculada à lembrança da primeira versão, exibida em 1972 e reapresentada em 75.

Agora vamos saltar duas décadas, e parar em 03 de maio de 2007, quinta-feira. A mesma Verônica Sabino da trilha de “Selva de Pedra”, de Todo sentimento, As vezes nunca, Tudo que se quer e tantos outros sucessos se apresentou no palco do Espaço BNDES, no Rio. E eu estava lá na plateia, pela primeira vez assistindo a uma apresentação ao vivo da cantora e compositora, prestes a gravar seu primeiro DVD.

No palco, acompanhada por Sérgio Chiavasolli, Fernando Caneca e Bruno Migliari, Verônica mostrou, além dos antigos sucessos – conquistados após aquele 1986 – canções de sua autoria e releituras muito interessantes, como as paradoxais Lua Branca, de Chiquinha Gonzaga, Impossível acreditar que perdi você, de Márcio Greyck, e Quase um segundo, do contemporâneo Herbert Vianna. E, para surpresa do público, Verônica Sabino recebeu o amigo Leoni, para em dueto cantar Lágrimas e chuva e Melhor pra mim. Apoteose no centro do Rio, só que em pleno mês de maio. Uma super canja.

Perto do encerramento do show, Verônica Sabino relembrou uma passagem de sua infância, quando, levada pelo pai – o escritor Fernando Sabino (1923-2004) – ao cinema, assistiu “Help!”, o clássico filme dos quatro rapazes de Liverpool, quase vizinhos da menina que vivia na Inglaterra. E, no relato de Verônica, ela citava a curiosidade de ter explodido comercialmente anos depois cantando… uma versão dos Beatles, astros que fizeram parte da vida dela desde muito pequena.

Aquela história, da menina que assistiu “Help!” com a música dos Beatles, era idêntica a do menino que assistiu “Selva de Pedra” com a música… da ex-menina. Eu, o ex-menino, que já estava muito feliz com o que tinha visto até ali, confesso que senti um conforto na alma ao perceber que, apesar das diferenças de tempo, espaço, países, culturas etc, as histórias se repetem.

Como nas novelas, como nos filmes.

À Verônica, simpática no palco e fora dele, os meus votos de sucesso, e a admiração do menino que, todas as noites, não tirava os olhos da trama embalada por Demais.

Assista Demais:

3 Comments

  1. Carol Lisboa

    Que texto tocante,fiquei emocionada. Eu também assitia Selva de Pedra e amava a música da Vêronica Sabino.
    Voltei no tempo,muito obrigada.

  2. Ronaldo Farias

    Nossa, fiquei muito tocado com seu texto, especialmente porque acompanho a carreira da Verônica desde "Demais" que, quando ouvi pela 1a vez, me arrepiou dos pés à cabeça e hoje é minha "música de cabeceira". Sucesso, Verônica. Beijos,

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