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Cássia Eller e Lobão, o encontro que deu certo

O ingresso do show "Cássia Eller e Lobão"
O ingresso do show “Cássia Eller e Lobão”

Há muitos anos atrás, assim que foi inaugurada, a casa de shows Olimpo – localizada na zona norte do Rio – recebia em seu palco nomes importantes da MPB. Naquele espaço, que hoje, segundo me consta, só acontecem bailes funk, vi espetáculos inesquecíveis de Elba Ramalho, Flávio Venturini (na época em cartaz com Linda Juventude, que comemorava 25 anos de carreira e 50 de vida), e este aí do ingresso: um raro encontro entre a saudosa Cássia Eller (1962-2001) e Lobão.

Cássia, que vivia então o seu maior êxito (o CD Com você… meu mundo ficaria completo, 1999) havia gravado anos antes uma versão única para Vida bandida, mega hit lançado pelo Lobão em 1987. Enquanto isso, o Lobo João Luís Woerdenbag Filho colhia os louros de sua primeira investida no mercado independente: o álbum A vida é doce, que chegou a marca inédita de 100.000 cópias, vendido nas bancas de jornal a módicos R$ 9,90.

Em cena, como manda o bom cavalheirismo, Cássia veio primeiro, e desfilou os recentes sucessos O segundo sol, mapa do meu nada e Gatas extraordinárias, que faziam parte de seu disco mais recente, entre outros. Quando a plateia estava no auge do êxtase, após a interpretação de Partido Alto, que Cássia Eller fazia como ninguém, ela saiu para beber uma água e abriu caminho para ele, Lobão, que estava mais disposto a cantar as novas músicas de seu disco indie do que fazer um setlist das antigas.

Resultado: o público começou a se dispersar, e a pista ficou quase vazia. Teve gente que vaiou, reclamou, protestou, e Lobão, com a metralhadora em punho, mandou na lata: “Vocês querem ouvir Rádio Blá? Vocês querem ouvir Me chama? Essas vocês escutam no rádio… hoje eu só vou tocar as músicas do meu disco novo…”.

Lobão e Cássia Eller no Olimpo, em 2000 (Foto: autor desconhecido)

Depois de uma seqüência de canções desconhecidas de quem estava ali, quando muita gente já havia dado o show como encerrado, Cássia voltou ao palco pra cantar com Lobão a tal Vida bandida que ela havia gravado em 1998 no CD Veneno Vivo. E aí foi a apoteose na Vila da Penha, bairro que abriga a casa de shows. O público vibrou ao ver o encontro de duas lendas da música brasileira, conhecidas pelo seu talento e pela língua afiadíssima. E eu também.

Um ano e meio depois, em dezembro de 2001, Cássia partiu. E Lobão seguiu seu caminho no universo paralelo, apresentando grandes canções e brigando com muita gente. Coisa de artista de talento e gente de opinião.

Salve Cássia. Salve Lobão.

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