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Ney Matogrosso, Pescador de Pérolas (CBS, 1987)

Um Ney Matogrosso sem maquiagem, sem figurino, de terno, tranquilo, cantando somente clássicos. Foi exatamente assim, quase irreconhecível, que o público o encontrou em 1986, na estreia do show Pescador de Pérolas, no Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro.

O espetáculo fazia parte do projeto Luz do Solo, que unia um intérprete a um instrumentista. Neste caso, vários instrumentistas: além de Arthur Moreira Lima (piano), subiram ao palco Paulo Moura (sax alto e soprano), Chacal (percussão) e um jovem violonista chamado Raphael Rabello.

Parte do programa daquele show deu origem ao LP Pescador de Pérolas, primeiro disco de Ney Matogrosso lançado pela CBS, no início de 1987. Após a temporada bem-sucedida de Destino de Aventureiro (1984-85) – que trazia no repertório canções de Cazuza e Frejat, Eduardo Dusek e Luiz Carlos Góes, entre outros – surge um Ney Matogrosso interpretando Dorival Caymmi (Dora), Bororó (Da cor do pecado), Herivelto Martins e Marino Pinto (Segredo, grande sucesso na voz de Dalva de Oliveira), entre outros compositores.

Como o show acontecera no Teatro Carlos Gomes, não poderia ficar de fora uma homenagem ao maestro, feita em Quem sabe?. Pode-se dizer também que o tributo feito a Cartola em 2002 no álbum Ney Matogrosso Interpreta Cartola na verdade começou 15 anos antes, com O mundo é um moinho, que abria o espetáculo – e também o LP. Neste show/disco, Ney também cantou Dos Cruces (Carmelo Larrea), Alma Llanera (Pedro Elias Gutierrez) e Besame Mucho, de Consuelo Velasquez. Fechando o disco, um passeio por Ary Barroso em Rio de Janeiro: Isto é o meu Brasil e Aquarela do Brasil.

Ney Matogrosso conta que, com Pescador de Pérolas, uma parte do público se afastou, e um outro surgiu. Segundo ele, o público fútil, que gostava de vê-lo pintado, exótico, deu lugar a outro, que encontrou nele um intérprete de sucessos esquecidos da música brasileira. Foi com este disco que Ney Matogrosso percebeu a necessidade de mostrar às novas gerações o que estava se perdendo, devido à falta de memória – anos depois, ele dedicou-se a projetos especiais, como Estava escrito (1994, dedicado a obra interpretada por Ângela Maria), O cair da tarde (1997, sobre Villa-Lobos) e Batuque (2001, com canções dos anos 1930 e 40).

Pescador de Pérolas foi lançado em CD no início da década de 1990, e em dezembro de 2008 foi relançado na caixa Camaleão, da Universal Music, reunindo 15 discos de Ney Matogrosso, lançados entre 1975 e 1990 pelas gravadoras Continental, Warner, Ariola, Barclay e CBS.

Músicas:
O Mundo é um Moinho (Cartola)
Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto)
Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira)
Dora (Dorival Caymmi)
A Lua Girou (D.P. Tema Folclórico – Adap.: Milton Nascimento)
Mi Par D’udir Ancora (Ária da ópera I Pescatori di Perle – Bizet)
Quem Sabe? (Antonio Carlos Gomes)
Dos Cruces (Carmelo Larrea)
Alma Llanera (Pedro Elias Gutierrez)
Besame Mucho (Consuelo Velasquez)
Da Cor do Pecado (Bororó)
Rio de Janeiro: Isto é o Meu Brasil (Ary Barroso)
Aquarela do Brasil (Ary Barroso)

Produzido por Marco Mazolla

6 Comments

  1. ivan de oliveira

    meu nome é ivan de oliveira e sou compositor e gostaria de mostrar o meu trabalho se lhe interessar mande um endereço que envio o cd para vcs ouvirem e quem sabe entramos num acordo,meu estilo é mpb,desde ja agradeço.se conhecer algum produtor me de essa força.

  2. Jorge Vidal

    Eu tinha treze anos quando me rendi completamente diante da voz de Ney, que era visto até então pelo chamado grande público como um cantor caricato e performático. Ouvi-lo cantando a ária "Mi Para D’urdir Ancora" de Bizet foi arrebatador. De longe o melhor trabalho de Ney.

  3. Runy

    Mi Par D’udir Ancora

    Mi par d’udire ancora,
    o scosa in mezzo ai fior,
    la voce sua talora,
    sospirare l’amor!
    O notte di carezze,
    gioir che non ha fin,
    o sovvenir divin!
    Folli ebbrezze del sogno, sogno d’amor!
    Dalle stelle del cielo,
    Altro menar che da lei,
    La veggio d’ogni velo,
    Prender li per le ser!
    O notte di carezze!
    gioir che non ha fin!
    o sovvenir divin!
    Folli ebbrezze del sogno, sogno d’amor!
    divin sovvenir, divin sovvenir!

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