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Elba para poucos

Em show acústico e intimista, a flor da Paraíba conta (e canta) histórias

Elba Ramalho - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & LetraNão, caro leitor: ao contrário do que o título possa sugerir, o Teatro SESC Ginástico, no Rio, não estava vazio na noite de quarta, dia 19. Muito pelo contrário: com casa cheia e plateia animada, Elba Ramalho apresentou uma seleção imbatível de sucessos, conquistados ao longo de seus 30 anos de carreira.

O “para poucos” em questão é que, acostumada a grandes espetáculos, Elba desta vez dispensou todo o aparato de sempre e, acompanhada somente pelo músico Marcos Arcanjo, fez uma apresentação rara, intimista, durante sua participação na edição 2008 do projeto “Som às 7”. Em uma hora e meia passeou por sua vida, contando – e cantando – histórias de sua infância, adolescência e, consequentemente, seu início de estrada artística.

Elba e Marcos Arcanjo
Elba e Marcos Arcanjo

À vontade no mesmo palco onde começou sua trajetória como cantora (iniciada em 1978, com a encenação de “A ópera do Malandro”, de Chico Buarque), Elba relembrou os velhos companheiros de cena – os atores Otávio Augusto, Marieta Severo e Neuza Borges, além do próprio Chico – com “O meu amor”, “Folhetim” e “Palavra de mulher”, e cantou praticamente todas as fases destas três décadas: os tempos hippies em São Paulo, com “Veja bem (Margarida)”, de Vital Farias, e “A palo seco”, de Belchior; os primeiros anos de disco, com “Eternas ondas”, do primo Zé Ramalho, de quem foi backing vocal; os anos 80, com “Gostoso demais”, de Nando Cordel e Dominguinhos, “Canção da despedida”, dos Geraldos Azevedo e Vandré, e “Ai que saudade de ocê, de Vital Farias; e dos 90, a “Ciranda da rosa vermelha”, hit que todas as noites embalava as tramas da novela “A indomada”, de 1997, e “Chão de giz”, de Zé Ramalho, gravada por ela em 1996 no álbum “Leão do Norte”.

Elba Ramalho - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & Letra

Carismática, Elba sentou-se no chão do palco, conversou com o público, e atendeu a pedidos – até mesmo inusitados – como o de um fã que pediu por “Morte e vida severina”. E ela cantou. Não só esta, como clássicos da boemia carioca: “O mundo é um moinho” e “Camisa amarela”. Da fase mais recente, Elba falou sobre as (boas) sensações de ser uma artista livre da pressão das gravadoras, apresentando “A natureza das coisas” e “Amplidão”, faixas de seu último CD, o independente “Qual o assunto que mais lhe interessa?”, lançado no ano passado.

Elba Ramalho - Foto: Fábio Vizzoni - Site Música & Letra

Com inacreditáveis 56 anos, Elba Ramalho ainda tinha fôlego para interpretar outras mais dançantes, mesmo que o show fosse acústico: as indispensáveis “Bate coração”, de 1982, e “Banho de cheiro”, de 1983. Apoteose na noite carioca. A cantora afirmou que gosta de shows como este, menores, em teatros, porque fica mais próxima das pessoas.

Para quem perdeu, agora é torcer que a experiência traga frutos e outras apresentações como esta. E, quem viu, possa repetir a dose.

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2 comentários

  1. Grande Elba! e temos que ouvir nas rádios apelações baianas ganhando prêmios de melhor cantora.Basta ouvir seu novo Cd com interpretações fantásticas(Assim como foi a gravação do Dvd)para saber que Elba é a que deveria estar sendo tocada e aclamada.Obrigado por esta ótima reportagem e belas fotos e espero que consiga inserir videos dessa cantora única.

  2. amo essa guerreira e sua bela voz, maviosa.sua sensibilidade pra a escolha do repertório só demonstra que deus lhe deu o dom e ela sabe fazer uso para nos encantar!parabéns pela belíssima reportagem e obrigada pela oportunidade de me expressar sobre essa nossa cantriz!

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