
“Alguém sabe dizer o que é normal?
pode parecer tão natural…”
Este é o refrão de “Cotidiano de um casal feliz”, canção de Jay Vaquer (foto), que há mais de dois meses está entre as músicas mais tocadas nas rádios do país. Mas Jay não surgiu agora no cenário cultural: formado em Comunicação pela FAAP e em Artes Cênicas pelo Teatro Célia Helena, ainda adolescente gravava jingles. Trabalhou com Rick Bonadio e Celso Viáfora. No fim da década de 1990, participou do musical “Cazas de Cazuza”. Em 2000 lançou seu primeiro CD, Nem tão são, e em 2004 o álbum Vendo a mim mesmo, com o sucesso “Pode Agradecer”. Em outubro lançou seu terceiro álbum, “Você não me conhece”. Jay é filho do guitarrista Jay Vaquer e da cantora Jane Duboc, e falou um pouco sobre sua carreira:
“Cotidiano de um casal feliz” é um grande sucesso, nas rádios e na TV. Fazendo o caminho inverso, como surgiu a idéia de contar em letra a história de um casal nem tão normal assim?
As músicas que componho, são observações que se dão de maneira exterior ou interior, e me coloco na posição de cronista. Figuras como esse “casal feliz” da canção, você encontra facilmente… estão sempre por aí (risos).
Fale um pouco sobre a produção e finalização das 11 canções de “Você não me conhece”.
Foi um prazer lapidar as canções ao lado de profissionais tão talentosos. Contei com a competência e a experiência de muita gente em todas as etapas do processo. Aprendi bastante, e o resultado no CD é fruto de um empenho coletivo.
Você já está na estrada há muito tempo, seja com música ou atuando (vale lembrar a atuação em “Cazas de Cazuza”, em 2000, ao lado de Débora Reis, Vanessa Gerbelli e Lulo, entre outros). Pra você, qual atividade te dá um barato maior?
É a criação, seja qual for. Criar é o meu “barato maior”. Uma música, um roteiro de show, um clipe, uma capa de CD… criar.
Como você lida com o assédio dos fãs, principalmente tendo mais de 2000 amigos no Orkut? Tanta gente assim não dá margem para que as pessoas acabem invadindo a sua vida?
Não consigo pensar nas pessoas como fãs, mas como interessados pelo trabalho – agora. Amanhã podem não gostar mais do trabalho, e quem hoje não curte, pode vir a curtir no futuro. Não há essa condição permanente “eu sou fã do Jay”, e sim “eu curto o que ele faz hoje”, porque a pessoa muda e eu também mudo, e nessas mudanças pode rolar um desencontro. Mas dou a maior atenção, e tento na medida do impossível responder e-mails e scraps (na verdade o número de amigos é bem maior que esse que você citou).
Os títulos de seus três discos deixam no ar interpretações diversas: “Nem tão são” (2000), “Vendo a mim mesmo” (2004)” e “Você não me conhece” (2005). A intenção é possibilitar ao ouvinte um leque de opções de entendimento?
Não só nos títulos, mas em tudo que faço. O entendimento do ouvinte não me pertence, nem posso pretender isso.
As letras, melodias e arranjos das canções de seus três discos permitem a sensação de que foram feitas para serem cuidadosamente saboreadas, sejam as suas composições ou a releitura de outros compositores. É este o caminho?
Poxa, muito obrigado. Eu francamente não sei: meu compromisso é com a honestidade, e faço o melhor que posso dentro da limitação de orçamento e talento. Mas sou muito severo comigo, e preciso gostar do resultado, ou não lanço.
O que realmente te tira do sério?
A mentira, a falsidade, a covardia, a injustiça…
2005 foi um ano difícil para o Brasil. 2006 é ano de Copa do Mundo e Eleições presidenciais, ou seja, tradicionalmente teremos doze meses de variadas especulações. Quais são as suas expectativas para o país a partir do Janeiro que começa daqui a duas semanas?
Para a Copa, espero muita farra. O povo sofrido tendo momentos de alegria pós-alalaô patimcumbum, extra-micaretas aê-aê-aê-olará... rumo ao hexa (risos). Nas eleições, espero um povo cada vez mais esperto (ainda falta bastante). Sou otimista, claro que nada é tão simples. Os problemas estão aí, e muitos são gravíssimos. Acho triste pagar não sei quantos impostos e não ver essa grana revertida para o social. Os serviços públicos são lamentáveis, mas ainda assim, meu sentimento é otimista…que 2006 seja melhor que 2005.
E na música? O que você prepara para o próximo ano?
Sigo na divulgação desse meu terceiro CD. Logo no início do ano, a próxima música, “A falta que a falta faz” estará nas rádios. Entrego também um clipe novo em janeiro, e preparo o show que deverá rodar por todo o país. Seguirei matando um leão por dia.
Seguindo a ideia de “Cotidiano”, você arriscaria dizer o que é normal?
Risos… olhe, acho que essa percepção é individual. Claro que vivemos em sociedade, e dependendo de seu padrão de normalidade, você terá que morar no hospício… tem gente que rasga dinheiro e come merda, e acha normal…vai saber porque… ie, ie… (risos).
Pra finalizar, você gostaria de mandar um recado pra alguém?
Sempre, e cada vez mais. Os recados estão nas músicas.
