Stereobox: Hábitos nada estranhos

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Em entrevista, Iqo e Juliano mostram um pouco do Rock ‘n Roll dos “pampas”

Formada em 1999 por Iqo (voz, violões e guitarras), Carlos Villas (vocais, guitarras e teclados), Flávio Negão (vocais e baixo) e Juliano Baiano (bateria), a Stereobox já passou por muitas aventuras: seus músicos trocaram Porto Alegre pelo Rio de Janeiro, enfrentaram barras, fizeram amigos – entre eles o grupo Detonautas e o cantor João Sabiá, entre outros – regressaram à terra natal, até chegar à MTV com o clip “Nosso amor anda tão bem” e ao topo das paradas em 2004 com a canção “Um dia sem você”. No mesmo ano, a Stereobox voltou ao Rio para tocar no Festival T-Rec, como única representante do sul do Brasil. A boa performance rendeu frutos: um contrato com a Indie Records e o lançamento deste novo trabalho.
Estas – e outras histórias – você confere abaixo:

Porquê o disco se chama “Hábitos estranhos”?
Iqo Toda a banda viveu os anos 1980. Uma época onde comprávamos LP’s de nossas bandas favoritas. Era um ritual. Vinha o encarte, uma verdadeira obra. E quando era álbum duplo, nossa! Aquilo era um dia inteiro debruçado, curtindo. Fazíamos coletâneas nas ultrapassadas fitas cassete, de preferência as cromos… aquele agudo!!! Hoje, a música virou um produto efêmero. As pessoas têm PC em casa. Baixam as músicas que querem, ignora-se o conteúdo de uma obra. Bandas aparecem e somem com a mesma velocidade. Nossos hábitos mudaram muito e, pra nós, estão estranhos demais.

A Stereobox é 50% gaúcha (Iqo e Carlos Villas), 25% carioca (Flávio Negão) e 25% capixaba (Juliano Baiano). Como se deu a reunião de vocês e, consequentemente, a criação da banda?
Iqo Foi através do Paulo Inchauspe, um amigo em comum de todos, que acabei sendo convidado pra entrar pra banda. Era um projeto da cabeça dele. Ele havia tocado com cada um de nós (exceto com o carioca Flávio) em bandas distintas e resolveu montar um time em que acreditava muito. Começamos fazendo cover, pra entrosar. A coisa foi tomando forma, até aparecerem as músicas próprias. Daí, foi um passo pra montar uma base sólida. Resolvemos começar pelo Rio de Janeiro. Meu irmão mora lá faz bastante tempo e isso foi fundamental na escolha do lugar. Precisávamos de alguém que nos ajudasse na logística. Depois que chegamos lá, sentimos que as coisas não eram bem como pensávamos. O Rio é o lugar onde as pessoas influentes moram, mas não tem muito lugar pra fazer show. Tivemos que peregrinar no underground carioca. Foi uma grande escola. Moramos lá entre 2000 e o final de 2002. Nesse meio tempo, conseguimos gravar nosso primeiro CD (“Bem-vindos ao Showbizz”, AR Discos, 2001) num dos maiores estúdios do mundo. Foi a maior experiência musical que tivemos. O André Rafael, dono do AR, acabou abraçando a nossa causa. Virou nosso guru!!! Mudou nossa vida, depois que conhecemos ele. É um cara incrível, de uma sensibilidade musical fantástica. Gravou, mixou, prensou e distribuiu nosso cd. O mais legal, é que ele aproveitou muitas tracks que fizemos na nossa primeira demo. Guitarras, vocais, teclados, baixos que foram gravados em ocasiões muito próprias e que não conseguiríamos reproduzir com a mesma intensidade. Isso deu uma verdade muito grande ao trabalho. Além dos profissionais de altíssimo gabarito que também trabalharam no CD, como o engenheiro de som Eduardo Costa (responsável por álbuns como “Quanta”, do Gil) e Duda Mello (Álbum “Livro”, do Caetano).

Depois de anos na estrada independente, como é para a banda fazer parte do cast de uma gravadora, principalmente em tempos cada vez mais difíceis no mercado fonográfico?
Iqo Estávamos de volta ao Rio Grande do Sul, depois de 2 anos e meio de Rio de Janeiro. O cenário fervia aqui. Tínhamos uma música entre as mais pedidas nas rádios locais (“Adorável Ladra”). Depois disso, veio a entressafra. Ou fazíamos um disco novo, ou acabava ali. Gravamos, com recursos próprios. Nascia o “Hábitos Estranhos”. Fomos classificados no festival do selo T Rec/Indie, no Rio de Janeiro, sendo a única banda representante da região Sul do Brasil. Tocamos e rolou o convite pra gravarmos pela Indie Records. Podemos afirmar que a batalha é a mesma de quando estávamos no underground. A gravadora não tem muita experiência com pop rock. Nós mesmos fazemos o trabalho de campo. Vamos de porta em porta divulgar o CD. Sabemos que o mercado fonográfico está ameaçado. O futuro está, cada vez mais, nas mãos dos internautas.

Você é o compositor das letras e músicas da Stereobox. Como é o seu processo de criação?
Iqo Não existe uma regra. Tudo funciona conforme a situação. Primeiro, procuro harmonias e melodias, depois parto em busca das letras. Tem músicas que me vêm prontas. Tem outras que levo meses pra finalizar. Mas nunca faço música em cima de letras prontas. Não consigo mesmo.

Falando em criação, foi difícil para você compor “Os anjos”? (faixa dedicada à mãe de Iqo, falecida em 2000)
Iqo Foi um momento difícil. Nunca havia passado por algo tão profundo. Estava no fundo do poço. Morava no Rio, minha mãe morria em Porto Alegre. Soube da morte dela quando não tinha um centavo. Não teve despedida. Tive e tenho que viver com esse vácuo eterno. A música acabou saindo fácil. A letra, mais ainda. Depois, essa canção acabou chegando em primeiro lugar por semanas nas rádios do RS. Vi os dois lados da vida. A transformação da tristeza em algo bom.

A banda: Flávio Negão, Carlos Villas, Iqo e Juliano Baiano
A banda: Flávio Negão, Carlos Villas, Iqo e Juliano Baiano

Das caixas de ovo que cobriam as paredes do estúdio improvisado numa casa do bairro de Botafogo (RJ) até os dias atuais, quais foram as principais mudanças e aprendizados da Stereobox?
Iqo Somos uma banda que acredita na música em si e mais nada. Cada vez mais, estaremos em busca de novos horizontes sonoros, sem perder a essência da Stereobox. Provavelmente, nosso próximo disco seja bem diferente do atual, e, mesmo assim, não perderá a alma da banda. As caixas de ovos na parede foram essenciais pra aquele momento. Uma fase underground. Dali, fomos gravar num dos maiores estúdios do mundo, o AR. A essência não foi perdida.
Juliano Nossa experiência no Rio foi demais! Quando fomos, mal nos conhecíamos e, de cara, fomos para o mesmo teto. Tivemos que nos conhecer na marra! Este aprendizado nos deu muita base e amizade sincera para os bons e maus momentos que uma banda, que tem certeza dos seu objetivos, precisa ter para seguir o seu destino. Hoje, mais maduros, temos mais perseverança para correr atrás do nosso sonho: Levar a Stereobox a todas as pessoas!

Conte um pouco sobre o festival MADA, realizado em 2002 no RN, momento em que vocês dividiram o palco com Ira!, Jorge Ben Jor e Planet Hemp:
Iqo Foi uma loucura. Mais de cinco mil pessoas, num dos extremos do Brasil, curtindo nosso show, como se fossemos a banda mais conhecida do planeta. Foi uma experiência ímpar. Unimos o Sul ao Nordeste do Brasil numa noite só. Além de ser fundamental estar entre os grandes. Aprende-se muito.

Ainda sobre festivais: eles seriam o caminho mais indicado para quem está começando na aventura de fazer música no Brasil?
Iqo Com certeza. Esse é o caminho. Desbravar novos horizontes. Tocar pra quem nunca escutou a banda. Fazer novos contatos. Mostrar a cara. Temos fãs em Natal, por causa do Mada. A música não tem fronteiras. E o grande lance é fazer um trabalho honesto. Aí você vai ser entendido até no Iraque.
Juliano Eu acho que ajuda pacas! Devido aos poucos lugares que uma banda nova tem para mostrar seu potencial, pode ser uma grande saída. É como aquela frase: Não é tudo que quero mas é tudo que tenho! Tivemos muita sorte (merecimento) de tocar no MADA!

Estamos em dezembro de 2005, às vésperas de um novo ano. Quais as esperanças e planos da Stereobox para 2006?
Iqo Esperança de que o mercado absorva um manancial enorme de novos trabalhos. O Brasil é rico em cultura. Não é possível que apenas uma meia dúzia de artistas usufruam do espaço na mídia. É necessário expandir a cabeça de quem faz acontecer. Nosso plano pra 2006 é surgir com um CD novo. Diferente, mas cada vez mais Stereobox.

Como contratar o show da Stereobox?
Iqo Basta entrar no nosso site e nos chamar. Atenderemos prontamente! Obrigado por nos proporcionar mais um espaço onde podemos divulgar nosso trabalho.

6 thoughts on “Stereobox: Hábitos nada estranhos

  1. Vcs precisam se juntar!!!
    uma rosa apenas, não faz primavera…
    vcs são d+ !!!!
    "Quem uma vez REI sempre magestade"
    adoro as musicas adorável ladra, anjos, o novo amor de sara…..
    precisamos d banda como vcs!
    FALO!

  2. Oi tenho apenas 11 anos mais ja conheço as músicas,d vcs!!!! minha tia tem o cd e eu adorei e pretendo crescer ouvindo essa banda q é d+ por favorrrr…. voltem com todo o sucesso… b’jos!!!!!

  3. Meia-noite está pronta
    Vestida num manto de seda
    Ela chega
    No lábio um singelo batom
    E o brilho nos olhos neon
    Quem sabe fugimos da te—-la
    Inimiga da maldade
    Arqui-rivais pela cidade
    Vingança, desejo e paixão
    No muro escrito com carvão
    Quem sabe brincamos de Bonnie e Clyde

    Tão precisa quanto o Big Ben
    Iluminada como time square no reveillon
    Prá tomar de assalto o velho trem da madrugada
    Adorável ladra ca en mi corazón

    K d vcs????
    esta na hr d voltar com novas músicas
    talento é o q não falta né!!!

  4. conheci voces atraves da radio da minha cidade!conheço um locutor que é ai do sul!e ele me falo de voces!a musica que gosto pra caramba é (os anjos)!voces tao de parabens!moro em goias!!!!

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