As dez mais de Rodrigo Santos

Rodrigo Santos - Foto: Fábio Vizzoni

Enquanto o Barão Vermelho segue em férias, o baixista Rodrigo Santos (foto) cai na estrada, seja com o seu show solo, com repertório baseado em seu primeiro CD, “Um pouco mais de calma” (Som Livre), seja com Os Britos, banda formada com os amigos George Israel (Kid Abelha), Guto Goffi (Barão Vermelho) e Nani Dias.

Especialmente para Música & Letra, Rodrigo separou um tempinho na corrida agenda de shows e ensaios para contar, com exclusividade, quais são as dez músicas inesquecíveis de sua vida.
Toca aí, Rod!

“A banda”, com Chico Buarque
“Foi das primeiras músicas que me lembro de repetir na vitrola (!) por várias e várias vezes. Essa música me lembra muito meu pai, meus tios e minha casa em Petrópolis na infância”.

“O calhambeque (Road Hog)”, com Roberto Carlos
“Quando eu tinha uns 6 anos, meus irmãos mais velhos deram uma festa na nossa casa em Petrópolis e essa música me faz recordar muito esse glamour do rock ingênuo e despretensioso. É muito bacana como Roberto e Erasmo conseguiam nos mostrar aqui no Brasil, uma parceria com tanta força nas canções. Antes só conhecíamos com Lennon-McCartney e Jagger-Richards na Inglaterra dos Beatles e Stones. Foi a primeira grande parceria nacional”.

“Preta Pretinha”, com Novos Baianos
“Os Novos Baianos eram amigos da minha tia e me lembro muito bem deles lá na nossa casa em Samambaia (RJ). Me lembro de estar quase dormindo no quarto e eles na maior festa na sala, tocando e cantando a valer. Aquela festa e celebração marca muito a minha vontade de ser músico, e “Preta Pretinha” era a trilha sonora de quando íamos acampar em Porto Seguro… eu tinha uns 9 anos”.

“O vira”, com Secos & Molhados
“Aí eu já estava começando a tocar baixo e lembro que essa música tinha uma levada de walking-bass muito parecida com Paul McCartney nos primeiros discos dos Beatles, mais precisamente em “All My Loving”. Tocava todo santo dia com o famoso disco dos Secos e Molhados… até hoje um dos maiores discos da história da música brasileira, sem dúvidas. Dancei muito essa música em festinhas também”.

“Domingo no Parque”, com Gilberto Gil
“Acho que essa é a canção que mais me lembra o disco “Sargeant Peppers” dos Beatles. Gil conseguiu juntar todo o universo de um dia infantil no parque de diversões, com a tensão de um crime passional que estava pra acontecer junto aquele universo tão angelical do parque… uma obra prima! conseguimos ver e sentir exatamente o que está acontecendo. Grande música!!! escutei muito e criei no meu CD solo um clima parecido na música “Cidade Partida”, onde fui em algumas escolas e captei com meu gravador o barulho das crianças brincando no recreio…juntei a um realejo pra dar um clima de suspense também. Foi influência dessa música e um pouco de Pink Floyd!”.

“Faroeste caboclo”, com Legião Urbana
“Acho que foi inspirada em “Domingo no Parque” e em “Hurricane” do Bob Dylan. Essa, quando ouvi a primeira vez, na casa do Nani Dias (meu parceiro de Front e Britos)… chorei! Foi tão bela a história e tão precisa a execução harmônica-ritmica-melódica da canção, que eu me envolvi de prima e me emocionei assim que começou a tocar. Fantástica e épica-westerniana, só que genuinamente brasileira… de Brasília! adoro essa coisa de trovador que conta uma saga… música que inspira um filme, cinematográfica”.

“Codinome Beija-Flor”, com Cazuza
“Só o Cazuza conseguia falar de amor daquela maneira, tão direta e poética ao mesmo tempo, sem ser piegas. A música é de uma beleza sussurrada enorme. Um grande poeta, dos maiores do planeta!”.

“Me chama”, com Lobão
“Toquei com o Lobão durante 5 anos, e é uma das pessoas mais talentosas que eu conheço. Gosto de todas as músicas dele, sem exceção, mas “Me Chama” também faz parte da minha história e sempre gostei da versão dele (a que esqueceram de colocar os pratos) mais do que das milhares que vieram depois. Gosto de gente que interpreta mais do que canta! toquei mais de 300 vezes essa música ao vivo e sempre me marcou muito. Lobão estava inspiradissimo ali… como nunca deixou de ser. Tem também um dos maiores solos de rock do Brasil. Guto Barros fez um solo melódico marcante a la Men At Work”.

“O Sono Vem”, com Rodrigo Santos
“Coloco essa música porque acho que me descubro como escritor-poeta ali, na maior das minhas essências, romântico e maldito ao mesmo tempo. É uma música que fiz pra minha mulher no meio de uma paixão que estava quase impossível de se concretizar, tantos eram os impecilhos no começo do namoro. Além disso, é só minha e concorreu com várias outras músicas pro disco do Barão (“Puro êxtase”, de 1998). Como todas tinham mais de um compositor, por votação, ela poderia ficar de fora, já que era de um compositor único. Mas a força dela rendeu a todos e ela entrou, entrando também no meu CD solo em 2007 numa versão mais Neil Young. A música também fala de drogas, e acho muito precisa nos arranjos de ambos os discos. Nela me descobriram compositor e me abriram as portas para outras em seguida”.

Ainda faltariam “Polícia” (do Titãs, pelo lado Punk-Rock que me identifico), “Arpoador” (A Cor do Som, pelo solo de baixo do Dadi), “Caçador de Mim” (com 14 Bis, pelos vocais) e “Rapte-me Camaleoa” (do Caetano, a que me fez voltar a tocar baixo), entre outras.