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Pato Fu: Sem limite para o futuro

Em entrevista exclusiva, Fernanda Takai e John Ulhoa falam sobre o novo CD

Fernanda Takai e John Ulhoa

Eles disseram há alguns anos: “tempo, tempo mano velho / faz um tanto ainda eu sei / pra você correr macio”. Hoje eles se projetam para o presente: “…daqui pro futuro falta só um piscar / que é pro tempo não mais nos enganar”.

Mas eles mudaram? “a gente busca uma evolução”, conta Fernanda Takai. E é isso que “Daqui pro futuro”, novo disco do Pato Fu traz: canções mais calmas, reflexivas e que não comprometem em nada a originalidade das canções.

Fernanda e John Ulhoa escancaram o repertório da nova empreitada dos Fus e contam ao blog a trajetória do novo álbum, sem mamas nem papas na língua:

Pato Fu sempre foi uma banda sem definição de estilo e “Daqui pro futuro” é mais um disco indefinido. Porém os fãs estão considerando o disco mais pop da banda, o que diferencia muito dos primeiros discos. Como foi chegar até aí? Pode-se considerar um amadurecimento musical neste sentido?
Fernanda Takai: Eu o consideraria o disco mais delicado, não necessariamente pop. A
gente busca uma evolução disco a disco. Sem necessariamente acertar.

Daqui pro Futuro é mais calminho, com mais músicas lentas. É a nova tendência dos Fus ou um formato único para o disco? Qual foi a inspiração para as composições?
Fernanda Takai: Eu tinha falado com todos da banda sobre a minha vontade de cantar coisas mais melodiosas, mais tranquilas. Eu gosto mais de escutar esse tipo de música no meu dia a dia, então o disco acabou refletindo mais o meu lado nesse momento. E eu gostei, claro.

Na nossa última entrevista você disse que não havia feito ainda uma música especial para sua filha Nina. Neste disco houve uma inspiração direta sobre ela, como “Mamã Papá”?
Fernanda Takai: Essa música foi feita em 2004, por “encomenda” de uma amiga (a atriz Graziella Moretto), que tinha lançado um livro sobre maternidade e ia fazer um clipe de divulgação. Na época já tínhamos fechado o repertório do “Toda Cura…” e havia a música Amendoim que, de certa forma, fala do mesmo tema. Depois fizemos um novo arranjo e achamos que era hora dela entrar no disco mais recente.

Outra inspiração que pode ser identificada no disco é Clarice Lispector (na letra de A hora da Estrela) ou estou errado? Qual é a importância de dona Clarice nas influências literárias para suas composições? Fernanda é um pouco Macabéa?
John Ulhoa: A hora da Estrela é feita sobre uma pessoa iludida pelas possibilidades de se tornar famosa e a ideia de que tudo vai ser lindo daí em diante, num otimismo sem limites. Claro que me lembrei da Macabéa dizendo: “eu queria ser uma artista de cinema…”, sendo ela uma das pessoas menos preparadas para tal. É um pouco o que acontece hoje em dia, algumas pessoas sem qualquer requisito artístico conseguem primeiro ficar famosas pra depois tentar “fazer alguma coisa”. Nesse sentido, acho que a Fernanda não tem nada a ver com a Macabéa…

O disco todo foi gravado no estúdio “caseiro” da banda. O clima da gravação muda quando se tem toda essa liberdade? > Como foi o processo de gravação?
Fernanda Takai: O processo é todo mais lento, mas não difere muito do que a gente sempre fez nos últimos cinco discos. Geralmente trabalhamos música a música. Só não temos um limite de tempo pra isso. Nunca sentimos falta de liberdade artística dentro da gravadora, talvez de cronograma, de orçamento, mas não muda o jeito de compor ou escolher repertório.

O novo CD do Pato Fu, Daqui pro futuro

Não tem como falar do novo disco sem citar a independência de gravadoras. Essa foi mais uma escolha madura do grupo ou uma certa “Independência ou Morte”? o que é melhor e pior em lançar um disco livre de uma mainstream?

Fernanda Takai: Temos mais agilidade nas escolhas de datas, parceiros. Temos menos logística, digamos. Mas hoje, mesmo quem está dentro de gravadoras se ressente dela. Tudo diminuiu: verba pra gravação, divulgação, clipes…
Acho que os artistas que gostam de gerenciar suas próprias carreiras mais de perto, tem estúdio, editora, produtora, tem mais é que ficar cada vez menos amarrado a um contrato tão restritivo.

Muitos críticos de músicas são do tipo “não escutei e não gostei”. O Pato Fu já se incomodou com esse tipo de cri-crítico? Qual foi a gota d’água?
Fernanda Takai: Já escrevi um texto sobre isso, há dois anos, nos jornais que publicam uma coluna minha semanalmente. Exatamente com esse termo a cri-crítica versus os mu-músicos. Não posso deixar de reconhecer que do nosso lado também tem muita coisa ruim… Acho que o Pato Fu até que foi bem feliz em relação à crítica especializada. Temos mais essa sensação em relação ao público.

Vocês fizeram uma curta temporada no Japão. Como foi a recepção dos olhinhos puxados? Pato Fu tem a cara do Japão? (eu acho que sim!)
Fernanda Takai: Foi muito boa! Tanto que temos proposta para um retorno agora em 2008. Eu gosto muito do país e fiquei feliz em encontrar gente que está conhecendo melhor nossas canções, embora o Pato Fu não tenha um som muito tipo-exportação…

2 Comments

  1. carina

    Pelo que eu sei, a idéia veio de uma tirinha do Garfield em que ele lutava kung fu, havia ali uma paródia que dizia "gato fu".
    Sacou?

    Se não é exatamente essa a explicação, é algo bastante próximo disso.

    ;D

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