Blitz: uma história legal, ao vivo e a cores

Juba, Rogério, Evandro, Luciana, Billy, Claudia e Andréa, saudados pela plateia
Juba, Rogério, Evandro, Luciana, Billy, Claudia e Andréa, saudados pela plateia

Na última sexta-feira, dia 31, Evandro Mesquita e sua trupe lotaram o Canecão Petrobrás, no Rio, apresentando o show de lançamento do primeiro DVD da Blitz, “Ao vivo e a cores”.

No mesmo palco da gravação do DVD, onde a banda fez shows memoráveis nos anos 1980, um desfile de canções que marcaram uma geração: “Weekend”, “Betty Frígida”, “A última ficha”, “Egotrip”, “O romance da universitária otária”, “Você não soube me amar” e outras pérolas bem-humoradas da banda que revolucionou o rock brasileiro em 1982.

Em cena, além de Evandro, uma competente e afinadíssima turma formada por Rogério Meanda (guitarra e vocal), Claudia Niemeyer (baixo), André Siqueira (percussão), Billy Forghieri (teclados), Juba (bateria), Andréa Coutinho e Luciana Spedo (vocais), tendo ao fundo um painel luminoso que muda de cor conforme a música. No roteiro, além dos sucessos, as inéditas “Como uma luva” (parceria de Evandro com o Kid Abelha George Israel) e “Reggae do avião”, de Evandro e Da Gama, do Cidade Negra.

Luciana, Evandro e Andréa em "Betty Frígida"
Luciana, Evandro e Andréa em “Betty Frígida”

Sem clima de revival da década em que explodiram nas rádios e na TV – mas com clima de bailão mesmo, feito pra dançar – a Blitz alterna seus hits com homenagens aos contemporâneos Titãs (“Sonífera ilha”), Gang 90 e Absurdettes (“Perdidos na Selva”), Barão Vermelho (“Bete Balanço”) e Os Paralamas do Sucesso (em “Óculos”, com direito a uma pequena mudança na letra promovida por Evandro: “Naquele tempo, os óculos eram de sol / hoje eles são de grau / mas por trás dessa lente tem uma história legal”). Com a mesma irreverência, Evandro Mesquita afirma que “A dois passos do paraíso” “é a canção da banda com o maior número de beijos na boca”. E a plateia aplaude.

Pastor Evandro e o “dízimo da Blitz”

Provando que, com preço baixo e criatividade é que se dribla a crise que está empurrando as grandes gravadoras ladeira abaixo, Evandro Mesquita, de óculos escuros, encarna um personagem típico dos ônibus cariocas: o vendedor de bugigangas. Ele diz: ” – Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas estou aqui vendendo o DVD da Blitz. Na minha mão é R$ 25, na das meninas é mais caro”.

Inicia-se uma catarse inacreditável em meio as mesas do Canecão: o público se aproxima do palco e começa a tirar dinheiro dos bolsos, e Evandro a distribuir DVDs do palco, com a ajuda da produção, que recebe o dinheiro e o armazena nas caixas de papelão onde até então estavam os discos. Ele justifica a irreverente atitude: ” – quando é que 70 pessoas vão entrar juntas em uma loja para comprar o nosso DVD?”, produzido com recursos próprios da banda e lançado pela independente Performance. Evandro complementa, alternando o personagem vendedor para um outro: o pastor de igreja evangélica: ” – Esse é o dízimo da Blitz” – brinca.

Mas, entre todas as brincadeiras, uma das grandes lições que a Blitz deixa é: a boa música atravessa décadas sem perder a jovialidade. A prova disso é ver, entre os trintões, quarentões, cinquentões (e até sessentões!), uma garotada que sequer havia nascido quando a banda fez a sua primeira pausa, após o lançamento de “Blitz 3”, em 1986.

Ao contrário do que cantavam em seu segundo disco, nos versos de “O tempo não vai passar”, o tempo passou. O verão de 1982, dos sorvetes Sem nome, do Brizola, dos mullets e das roupas coloridas também. Mas a essência da Blitz permanece a mesma, intacta, influenciando gerações futuras. E outros verões.

Em tempo: entra no ar esta semana o novo site da Blitz, produzido por Rubinho Cerqueira. Confira em www.blitzmania.com.br.