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Coisas do Brasil nos Horizontes do Rio

Pela primeira vez se apresentando em Guadalupe, Leila Pinheiro emociona a plateia

“Desejo que todos vocês saiam daqui, esta noite, totalmente embebedados de música”. Esta foi a saudação feita ao público por Leila Pinheiro, na abertura do show Nos horizontes do mundo, no último sábado, dia 20. Pela primeira vez se apresentando na Lona Cultural Terra, em Guadalupe, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a cantora paraense emocionou a plateia que lotou o espaço, administrado pela Prefeitura da Cidade do Rio.

Durante duas horas, Leila Pinheiro, dividindo-se em voz e piano, cantou novos e antigos sucessos, acompanhada da banda formada por Adriano Trindade (bateria), André Vasconcellos (baixo) e David Feldman (teclado). No palco, um belo cenário, reproduzindo o aconchego do lar, com direito à tapete, quadros e fotos na parede, estantes que guardam discos, livros e filmes, e ao centro, uma janela, com flores ao fundo.

Leila abriu o show com a mesma canção que dá nome ao seu mais recente CD: Nos horizontes do mundo, de Paulinho da Viola, é interpretada em voz e piano. Em seguida, uma felicíssima sequência de canções, fruto de grandes parcerias: Gozos da Alma (de Francis Hime, John Donne e Geraldo Carneiro), …E muito mais (de João Donato e Lysias Ênio), Catavento e Girassol (de Guinga e Aldir Blanc), Coisas do Brasil (de Guilherme Arantes e Nelson Motta), além das inéditas Pela Ciclovia (de Marcos Valle e Jorge Vercillo) e Renata Maria, música de Ivan Lins e letra de Chico Buarque, em parceria celebrada pela cantora, no final de 2004.

Homenagens a Renato e Elis são grandes momentos do show

Em um momento piano e voz, Leila interpreta <i>Hoje</i>, composta por ela em parceria com Renato Russo
Em um momento piano e voz, Leila interpreta Hoje, composta por ela em parceria com Renato Russo

Antes de apresentar Hoje, Leila Pinheiro conta como surgiu a canção, composta por ela e pelo saudoso Renato Russo, em 1993: “Eu já havia gravado canções dele, como Tempo Perdido e Monte Castelo. Um dia, ele me ligou, perguntando se eu sabia tocar alguma coisa no violão em bossa nova. Disse a ele que achava que sim”. No discurso, Leila Pinheiro fala, entre outras palavras, sobre a vontade de Renato Russo em reproduzir, na letra, uma forma de dizer as pessoas que elas devem amar e ser felizes, não importando com quem seja, já prevendo que seu futuro não seria longo (Renato Russo partiu em outubro de 1996, em decorrência do vírus HIV).

Leila em Essa mulher, canção gravada por Elis Regina em 1979

Elis Regina é lembrada por Leila Pinheiro, quando conta ao público sobre um certo espetáculo que ela assistiu em Belém, em 1979, aos 19 anos, no tempo que ainda era estudante de medicina, mas acalentava o sonho de ser cantora. Leila relembra que, após o show, foi ao camarim dar um beijo na artista, e disse a ela sobre o seu desejo de cantar. E a tal artista respondeu dizendo que, se ela quisesse mesmo, ela iria conseguir. A artista era Elis, e o show era “Essa mulher”. Leila homenageia a cantora, cantando a música homônima, autoria de Joyce e Ana Terra.

No decorrer do show, Leila ainda canta A minha alma (O Rappa e Marcelo Yuka), Serra do Luar (Walter Franco), Mais uma vez (Renato Russo e Flávio Venturini), Todo Azul do Mar (14 Bis), Isto aqui o que é (Ary Barroso), Brasil Pandeiro (Novos Baianos), entre outras. No bis, Onde Deus possa me ouvir, de Wander Lee, e É, de Gonzaguinha, momento que Leila Pinheiro põe todo mundo pra sambar. Com certeza, todos saíram do espetáculo bêbados de sua música, embriagados com a sutileza e a garra da artista, que sabe como ninguém cantar mais e mais e mais coisas do Brasil.

Mais fotos do show Nos horizontes do mundo:

Leila Pinheiro e David Feldman

Leia também: O biscoito fino de Leila

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