Discoteca: Caetano, Bethânia, Gal e Gil, “Doces Bárbaros” (Philips, 1976)

Convocados por Maria Bethânia em 1976, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil protagonizaram um momento único, doce e proibido dentro da história da música popular brasileira ao formarem os Doces Bárbaros.

Reunidos para uma super turnê pelos quatro cantos do Brasil, os baianos mostraram um verdadeiro espetáculo de produção, interpretação, além de carisma, acima de tudo.

O repertório do show, que originou um LP duplo e um documentário, contava em sua maior parte com composições de Caetano e Gil, e ainda com bons pitacos de Gal e Bethânia, como nas músicas “Quando” (Caetano Veloso/Gal Costa/Gilberto Gil), uma super homenagem à então ovelhíssima negra Rita Lee, a rainha do rock, e na obscura “Pássaro Proibido” (Caetano Veloso/Maria Bethânia).

Um dos pontos altos do show-disco-filme, é a interpretação magnífica (e quase lésbica) de Gal Costa e Maria Bethânia em “Esotérico” de Gil. Fica aquele mistério total, como sugere a letra da música. O ápice certeiro acontece quando Bethânia entra no palco para cantar “Um Índio” (Caetano Veloso) numa versão simplesmente desconcertante e visceral.

Toda a concepção dos Doces Bárbaros era revolucionária e única, desde o figurino composto por trajes hippies e tribais, até a postura cênica impactante. No documentário, dirigido por Jom Tob Azulay, é nítida a cumplicidade e o afeto entre os quarto integrantes, e a ausência de qualquer tipo de competição e rivalidade. Eram os mais doces bárbaros unidos pela música e pelo amor.

O seu amor (Música e Letra: Gilberto Gil)

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Livre para amar
Livre para amar
Livre para amar

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser

O seu amor
Ame-o e deixe-o brincar
Ame-o e deixe-o correr
Ame-o e deixe-o cansar
Ame-o e deixe-o dormir em paz

O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ser o que ele é
Ser o que ele é
Ser o que ele é

Ficha técnica original

direção geral: Caetano Veloso
direção musical:  Gilberto Gil
piano:  Tomás Improta
baixo:  Arnaldo Brandão
guitarra:  Perinho Santana
bateria:  Chiquinho Azevedo
sax e flautas:  Tuzé Abreu e Mauro Senise
percussão:  Djalma Corrêa
direção da produção:  Gapa e Perinho Albuquerque
técnico em gravação e mixagem:  Ary Carvalhaes
assistente:  Rafael Isaak
técnico em manutenção:  Ivan A. Lisnik
corte:  Luigi Hoffer
capa:  Aldo Luiz e Flávio Império
fotos:  Frederico Confalonieri
ilustração:  Jorge Vianna
gravado ao vivo

Nas Baterias:
– Em julho de 2005, Doces Bárbaros, o filme, foi relançado nos cinemas brasileiros com cenas extras.
– No documentário, durante uma entrevista, Maria Bethânia, entre um gole de whisky e um trago no cigarro, mostra toda a sua intolerância em relação à imprensa daquela época, Momento bárbaro, sem ser doce.
– Durante a turnê, Gilberto Gil foi preso em Curitiba, por porte de maconha.

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