É tempo de rock com Johnny Brechó

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Quem nunca dançou num ritmo alucinante chamado rock ‘n’ roll? Ao som de guitarras elétricas e um groove pra lá de rebuscado, o Rock chegou aqui há várias décadas, deixando o Brasil com um pé no Samba e o outro no iê-iê-iê dos gringos. Porém, o bom e velho está entrando em crise existencial, afinal ele não é mais o mesmo garotinho dos anos 60. Mas ainda existem aqueles que injetam aquele botox no nosso Rock!

A banda Johnny Brechó é uma delas. Com uma sofisticação pretérita, o pessoal desse Brechó musical revê toda a magia dos anos dourados das canções que nós ainda adoramos, abrindo as janelas para o sol entrar e estancar o mofo.

Em entrevista exclusiva, Dino, o vocalista da banda, explica tudo sobre a Johnny Brechó.

A primeira pergunta que nunca se cala: porque Johnny Brechó?
Bom, a banda resgata o som dos anos 70 porém para o século 21, e sendo assim, por que não criar uma atmosfera completa? O visual de cada um da banda é assim, porque andamos na rua do mesmo jeito como tocamos, é uma coisa só, não é falso. O carro (um Impala 1965) é meu, daí dá pra ter uma noção da nossa viagem! O nome não poderia ser outro, o ‘Johnny’ é um diminutivo querido de ‘John’, muito usado na década de 1970. Pensamos em Johnny Winter, e o ‘Brechó’ pelas vestimentas e tapetes, de zebra, de pluma, e tudo mais que decora o palco.

O som de vocês mescla anos 1960 e 70, no rock clássico e no blues, além de toda característica estética. Porque escolher essa vertente musical e essa época?
Pra nós esta é a época mais expressiva, ela encontra-se entre a descoberta do Rock n’Roll e posteriormente seu ostracismo. Essas décadas reúnem todo tipo de influência musical e cultural em geral, um verdadeiro caldeirão: tem Blues, Rock, Funk, Progressivo etc, e o mais interessante é que não virou uma diluição e nem uma salada, no sentido pejorativo. Hoje tudo é diluição, nada é genuinamente novo.

A banda diz que não faz covers e sim versões das músicas consagradas, “pois o difícil é dar vida a obras geniais de caras geniais, e por isso eles são mágicos!”. Quando surge essas versões? Qual é a grande preocupação quando se pega uma canção de seus ídolos para transformá-la no caráter da banda?
Olha, realmente o mais legal de fazer quando se pega uma dessas canções para tocar é mexer nela, mas com muito cuidado! A gente se preocupa demais em não desfigurar a música, cada música possui uma essência, uma história e ela deve permanecer pairando. Deve-se ter muita sensibilidade para fazer tal coisa, tem música que a gente descarta quando sente que ela não está com aquela energia, afinal como você mesmo disse, são nossos ídolos que estão em jogo!

Uma das músicas da banda presentes no CD “Rock de Veludo” chama-se “Impala 65”, típica canção setentista onde se fala sobre o sol, o céu, as cores, natureza… etc. De onde vêm essas inspirações na hora de compor? Quem faz ao se fazer uma música?
A banda tem uma coisa muito interessante, cada um vem de um estilo musical, mas que se funde e vira um som “rock de veludo”, por isso temos fases. A gente ouve muito Clube da Esquina, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta e isso acaba por influenciar nas letras e na atmosfera das músicas, e no caso de “Impala 65” foi isso que aconteceu. A letra parece colagem de imagens, eu particularmente gosto muito disso, consigo enxergar a letra, as cores.

Como é a história do carro Impala que está, inclusive, na capa do CD?
Quanto ao carro, é uma história muito engraçada, eu tenho este carro há quatro anos, comprei de um colecionador e acabei me apaixonando completamente por ele, tanto é que ele é meu primeiro carro e meu carro do cotidiano mas pra chegar a esse status de carro confiável ele aprontou várias com a banda, inclusive parar no meio do nada com a banda e todos os instrumentos enquanto íamos pro show. Agora em meio a tudo isso teve um lado bom; o carro passou por diversos mecânicos até ficar bom, mas enquanto isso não acontecia, e no meio desse trânsito caótico de São Paulo, morrendo de medo do Impala quebrar no meio da Avenida Paulista, fiquei prestando atenção no barulho irregular que seu motor V8 fazia e fiquei com aquilo na cabeça. Cheguei em casa e logo passei aquilo pra guitarra, daí em diante a história é fácil, olhamos pro riff e a música começou a tomar forma partindo daquele estranho porém brilhante som e acabou dando vida à canção. Tudo explicado, certo!?

Trazer a tona releituras de clássicos do rock antigo pode ser visto como uma certa crítica ao rock´n roll atual? O que vocês pensam desta nova fase mais comercial do som revolucionário?
Nós não só não concordamos com o som atual como discordamos dele (?!?!?!? ). Tudo ficou muito estranho, irreal, de plástico. As bandas que se propõem a fazer Rock n´Roll verdadeiro soam falsas e se rendem a timbres e acordes que harmonizem com o atual, o mesmo do mesmo, porém re-embalado para soar diferente. A publicidade e o marketing cresceram muito a ponto de invadir os ouvidos de todos e convencer que o vermelho que você vê na verdade é rosa, e isso acaba reinando como verdade absoluta. É uma guerra, e por isso a gente faz rock de veludo, ninguém pode enquadrar, tem anos 70, 60, 50, 90, a gente coloca nossas influências com um foco direcionado, sabemos o que queremos, e sabemos também que o Brasil não é o país do Rock n´Roll e nem é Rock´n Roll, mas essa hora vai chegar, pois é um país musical e de bom gosto, basta ter oportunidade, existem órfãos por aqui, por ali e que acabam se contentando com pouco, mas nós estamos chegando pra mudar isso.

 O disco “Rock de Veludo” é o segundo CD da banda, contendo quatro composições próprias e a releitura de um dos clássicos dos Mutantes, “Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o Rock and Roll”. Vocês pretendem ainda lançar um CD recheado só com inéditas?
Com certeza! Bom, a gente conta esse disco como o primeiro da banda, pelo fato do profissionalismo e do amadurecimento; o primeiro disco foi lançado em 2003 com quatro próprias e três versões, tínhamos três meses de banda e queríamos algo pra nos consolidar como banda, para entregar nas casas e bares, enfim, por uma necessidade. Já este disco foi muito mais direcionado e muito mais pensado, a canção dos Mutantes representa uma homenagem e um registro da nossa gratidão, eles são geniais e são como pais pra gente e o próximo disco acredito também que tenha alguma versão de outra banda gostamos disso, de tirar “fotos” do momento pelo qual estamos passando, o primeiro foi assim, o segundo foi assim, e acredito que o terceiro, ou segundo, chame como quiser, também seja desse jeito.

Qual a intenção, pretensão, os planos da banda para o ano 2006?
CONQUISTAR O MUNDO, FAZER 278 SHOWS NO MÍNIMO E TOCAR NO ROCK IN RIO 2006 !!!! E CLARO GRAVAR OUTRO DISCO. Estamos cheios de novidades e planos pra isso……sssschiiiiiiiii…..mas não conta pra ninguém senão eu nego!

Onde a gente encontra a banda Johnny Brechó?
Olha, em vários lugares: em casa, no estúdio. Bom, mas como não gostamos de ser incomodados nesses lugares, acesse www.johnnybrecho.com.br, e lá você saberá de tudo, tem as datas de show, fotos, contato, guestbook, etc. Ah, o disco está à venda em todas as Livrarias Cultura do Brasil e vendemos também nos shows e pelo site.

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