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O bom e velho Rock brasileiro chega aos 50

O lendário Tutti Frutti Luiz Carlini

Definitivamente pode-se acreditar que o rock não morreu. Esta é a conclusão a que chegaram os paulistas neste último final de semana no SESC Ipiranga. Em homenagem aos 50 anos do rock brasileiro, nomes consagrados da música estiveram presentes em duas noites para comemorar esta grande festa. Abrindo os shows do projeto, intitulado de “Rock’N’Roll, O Cinquentão Brasileiro”, Luiz Carlini com a banda Tutti Frutti, Deny e Dino e Demetrius foram os convidados da 1ª noite. No dia seguinte, foi a vez de Supla, Joelho de Porco e do mutante Sergio Dias.

Quem presenciou as mais de duas horas de puro rock n’ roll, tanto na sexta quanto no sábado, saiu do SESC em total estado de graça. Aqueles que curtiram os grupos de rock nos dias mais loucos das décadas de 1960 e 70 puderam matar a saudade em um delicioso revival. Para o público mais jovem – presente em sua grande maioria – nascido depois desses nomes terem estourado, os shows marcaram um momento importante na vida de cada um. Eles trouxeram novamente a lição de que ainda é possível fazer rock de verdade, da melhor qualidade, sem perder sua essência.

Tutti Frutti

Mesmo com o temporal que caiu na noite de sexta-feira em São Paulo, o público marcou presença e lotou o teatro do SESC. O ex-VJ e músico Thunderbird, que apresentou o evento, chamou ao palco a banda Tutti Frutti, formada por Ruffino (baixo), Beto (bateria), Carlini (guitarra) e Johnny Boy (teclados) para começar o espetáculo. Apesar de alguns atrasos na organização das bandas, as apresentações correram muito bem. Luiz Carlini, com sua guitarra havaiana, abriu o show com o clássico dos anos 50, Sleepwalk.

Em seguida,  Demetrius, Deny e Dino e Lilian relembraram as “jovens tardes de domingo” com alguns sucessos da Jovem Guarda: Rock do Saci, O pica-pau, É proibido fumar, Pode vir quente que eu estou fervendo, Gatinha Manhosa, O Ritmo da Chuva, Pensando nela, Coruja, Devolva-me e outros que fizeram parte do repertório do show.

Tutti Frutti

Representando os anos 1970, Luiz Carlini tocou Rock das Aranhas, de Raul Seixas, e seguiu o show com sua lendária banda, o Tutti Frutti. Helena Theodorellos, vocalista do grupo, entrou em cena e cantou sucessos que consagraram a banda na época em que Rita Lee pilotava os vocais: Mamãe Natureza, Que Loucura, Fruto Proibido, Jardins da Babilônia, Agora só falta você, Ovelha Negra e Dançar pra Não Dançar.

Demetrius

Apesar de não terem tocado no evento, o SESC contou com a presença de dois convidados de grande importância no cenário roqueiro brasileiro: Percy Waiss, do Made in Brazil, e Júnior, do Patrulha do Espaço.

Deny, Lilian e Dino

No sábado, Supla iniciou a noite representando a nova geração do rock. Com toda sua performance, sempre com um estilo divertido e rebelde, o roqueiro cantou, além de suas composições próprias, baladas transformadas em rock, indispensáveis na comemoração deste grande evento. Muitas crianças e adolescentes na plateia estiveram presentes no SESC para curtir seu show.

Supla

O grupo Joelho de Porco, um dos pioneiros do humor no rock brasileiro, e talvez, o mais esperado do final de semana, voltou à cena musical somente para este show. Da formação original estavam Franklin Paolilo na bateria e Próspero Albanese nos vocais. Grande fã da banda e responsável por reuni-los novamente, Luiz Thunderbird também participou do show tocando baixo. Nas guitarras, Zé e André Fonseca. Em pé, o público delirou em cada momento do show, e cantou junto, sucessos como Boeing 723897, Mardito Fiapo de Manga, O rapé, Trombadinha, México Lindo, Aeroporto de Congonhas e Funiculi Funiculá. Com suas letras satíricas, beirando o deboche, o grupo levantou a plateia, chegando a enlouquecer alguns fãs, que ate subiram no palco ou ficaram correndo e pulando pelos corredores do teatro.

Joelho de Porco
Sérgio Dias

Para fechar a série de shows, o mutante Sérgio Dias, integrante de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro, marcada pela criatividade, irreverência e genialidade, emocionou a todos com as canções da primeira fase dos Mutantes: Balada do Louco, Virgínia, It’s Very Nice pra Xuxu, Desculpe Baby, Technicolor, Beijo Exagerado, Minha Menina, Ando Meio Desligado e Top Top, além de O contrário de nada é nada, da fase pós-Arnaldo e Rita Lee. O show não tinha bateria, e Sergio pediu a ajuda da plateia, que o acompanhou em todas as músicas batendo palmas. No bis, encerrando a noite, Sergio despediu-se do público cantando El Justicero.

O som mágico e contagiante das guitarras continua vivo. Ainda há muito o que se comemorar. Prova disso foram esses dois dias que reuniram o melhor do bom e velho rock brasileiro.

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