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Edu Luke mostra seu Cosmo Bamba

Foto: Patricia Cecatti

Depois de atuar como guitarrista junto a renomados nomes da Música Popular Brasileira, Edu Luke rumou para sua carreira solo. Em seu segundo CD, “Cosmo Bamba”, Luke consegue seu amadurecimento profissional, caminhando e cantando por aí, entre bambas e cosmos.
Em entrevista exclusiva ao Música & Letra, o cantor e compositor fala sobre seu novo CD e o desenrolar de sua carreira.

Vamos começar pelo novo. Como está sendo a divulgação e o lançamento do seu segundo CD, “Cosmo Bamba”?
Tem sido melhor do que o esperado, pois, desde que optei em fazer um estilo de música desamarrado de certas concessões, eu sabia que estaria rumando o caminho mais difícil, o qual a grande mídia costuma não dar a atenção merecida. Porém, a receptividade tem sido excelente. O CD tem recebido ótimas criticas por onde passa, tanto no Brasil, quanto no exterior, e venho realizando uma boa média de shows em locais bacanas e eventos de renome com um ótimo respaldo de público. Sinto que é um primeiro tijolo que está sendo muito bem calçado.

Qual a origem do nome “Cosmo Bamba”?
Esse nome partiu da idéia de um curta, que seria uma espécie de cartoon. A história se passaria nos anos 70. O personagem principal seria um bamba, brasileiro do morro, compositor de sambas de breque e esquema-novo, que achando que iria faturar uma boa grana fácil, caiu na cilada de um anúncio de emprego do programa espacial soviético. O emprego que ele achou que era moleza era um recrutamento para passar uma semana: solitário, em órbita, dentro de uma cápsula espacial. Como bom malandro, aceitou a oferta pra ficar uma semana à toa e até conseguiu burlar os russos e embarcar com seu violão e um gravador K7. Ele só não prestou atenção que se tratava de uma semana-luz que, na fábula, representava algo como 120 anos terrestres. E quando já era tarde demais, tudo que lhe restava era compor músicas e poemas partindo daquilo tudo que estava sentindo em órbita. Enfim, era uma espécie de perdidos no espaço abrazucado cartunizado. O tipo de coisa que gosto de ficar escrevendo nas horas vagas, só por hobby. Mas achei o personagem interessante e, dessa idéia, acabou surgindo a letra da música Cosmonauta, que faz parte do disco.

O CD teve a grande participação especial de Luiz Melodia na canção “Lá e Cá”, de Lenine e Sergio Natureza. Como foi este encontro?
Assim como Luis Vagner e o Don Betto, o Luiz Melodia é uma das minhas primeiras recordações musicais. Desde que eu era um garoto, já me amarrava na voz, no swing e na estética do trabalho dele. E, através dos anos, fui alimentando o sonho de uma dia poder fazer um disco e ter a participação desses caras, que, na minha opinião, são os que “realmente sabem das coisas”. E pra não ficar só no sonho, resolvi correr atrás. Até que um belo dia, abri o jornal e vi que teria show do Melodia em SP. Não só fui no show, como também ao camarim. Me apresentei, entreguei um CD-R pra ele e disse: “Essa é uma música que estou gravando pro meu disco novo, está quase pronta, a única coisa que falta é sua voz nela”. Ele riu. Uns 15 dias depois ele me liga: “Quando a gente grava?”. Eu pirei.

As músicas do CD foram compostas, em sua maioria, unicamente por você. Como surgem as letras e as melodias? Qual a vantagem em trabalhar numa composição sozinho e em parceria?
Edu Luke Surgem de forma muito natural, porém anárquicas. Tudo depende da inspiração do momento, que pode ser qualquer coisa ou pessoas, situações, cores etc. Têm músicas que nascem de um groove de baixo, outras de uma ideia de melodia e harmonia tocadas no violão, outra de um riff de piano rhodes, outra de uma frase falada. É um papo muito metafísico discutir de onde surgem essas ideias que acabam se transformando em notas musicais. Gosto de trabalhar sozinho, mas, também adoro encontrar pessoas com as quais me identifico e que sinto que são capazes de completar minhas ideias trazendo informações do mundo dela. Assim como foi com o Daniel Carlomagno, o Chico Teixeira e o Artúlio Reis. Todos imprimiram sua marca que, colidindo com a minha, gerou um resultado muito bacana.

O novo CD de Edu Luke, Cosmo Bamba

Antes de seguir carreira solo você acompanhou músicos e bandas de renome, tais como Jane Duboc, O terço e chegou a dividir o palco com Gilberto Gil em um festival, em 1999. Como foi, para você, essa experiência de acompanhar de perto o trabalho destes artistas? Essa época você já compunha e pensava em seguir seu próprio caminho?
Essa foi minha faculdade, a minha escola Barklee. Até nos momentos em que a gente não estava tocando, indiretamente, eu estava aprendendo. Era uma coisa de segundo a segundo. A sabedoria transborda dos poros dessas pessoas a cada gesto, nota ou palavra. Tentei não deixar isso passar batido e, ao mesmo tempo que prestava o serviço de músico pra eles, eu estava ligado em tudo que rolava ao redor. Mergulhei de cabeça. Foi uma fase muito bacana que abriu minha cabeça e me deu direção. Sou eternamente grato a cada um deles por todos os momentos, pois acho que eles não têm ideia do quanto me ensinaram.

Como de praxe em todas as entrevistas, é inevitável perguntar: quais são suas maiores influências nacionais e internacionais? Até que ponto elas são referência em uma composição?
São muitas pessoas, dos mais variados estilos e que me influenciam de formas diferentes. No Brasil, posso citar Banda Black Rio, União Black, Marku Ribas, Luis Vagner, Filó Machado, Don Betto, Djavan, Cassiano, Hyldon, Luiz Melodia, Ed Motta, Gilberto Gil, Miguel de Deus, Samambaia, Lulu Santos, Tom Jobim, Trio Mocotó, Dominguinhos, João Donato etc… Na ala feminina Jane Duboc, Claudia de Oliveira, Elis Regina, Maysa, Tania Maria, Elza Soares, Joyce, entre outras. Dos gringos, destaco Michael Jackson, da fase Off The Wall, Joni Mitchell, Stevie Wonder, Herbie Hanckock, EWF, Frank Sinatra, Incognito, Elvis Presley, Miles Davies, Leroy Fuston, Gill Scott-Heron, Edgar Winter, Jaco Pastorious etc. Mas, a minha maior influência, com certeza, é a genética.

A distribuição do seu novo disco é feita pela Tratore e foi lançado pelo selo independente Number One. O que você vê de positivo e negativo nessa onde de independentes no Brasil e no mundo?
Edu Luke No mundo independente chamamos música de “música”, nas majors, é “produto”. Só por essa diferença de nomenclatura já dá pra se ter uma ideia. De positivo o que se destaca é, obviamente, o poder de autonomia criativa e de direcionamento artístico que, no mercado independente, é algo em torno de 100%. De negativo, é o fato que boa parte da grande mídia é dominada, de forma até mesquinha, pelas majors. O que torna o nosso acesso ao público algo muito restrito. Mas, com boas idéias e muito esforço, acredito ser possível superar essas barreiras.

Onde a gente pode encontrar o Edu Luke?
Edu Luke No meu site oficial (http://www.eduluke.com) é possível saber, em real time, onde achar os CD’s para comprar, ouvir trechos de todas as músicas, saber das datas e locais dos shows, meus contatos, assim como qualquer notícia relacionada ao meu trabalho, no Myspace, e no Orkut. Espero ver todos por lá.

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