Com novas canções e antigos sucessos, “Elektra” marca a volta do RPM aos palcos

Após nove anos, o RPM retorna aos palcos em sua formação original, no melhor estilo “a união faz a força”: quatro grandes músicos – Paulo Ricardo (baixo e voz), Luiz Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarras) e Paulo Pagni (bateria) – mostram que, se já brilhavam de forma independente, juntos podem fazer muito mais. No último sábado (04), o quarteto se apresentou no Citibank Hall, na estreia carioca da turnê Elektra, com lotação esgotada e mostrando clássicos do rock brasileiro e músicas inéditas.

Os tempos mudaram: nenhum artista brasileiro consegue mais vender três milhões de discos, marca do extraordinário LP Rádio Pirata ao vivo, de 1986. O RPM entendeu o recado e liberou, em seu site oficial, quatro músicas do novo CD, o primeiro de inéditas desde Os quatro coiotes, lançado em 1988. Dois olhos verdes, Ela é demais (pra mim), Crepúsculo (Paulo Ricardo & Luiz Schiavon) e Muito tudo (Paulo Ricardo, P.A. e Schiavon) tem tudo para fazer bonito, tal qual fizeram (e ainda fazem) Olhar 43, Louras Geladas, Revoluções por minuto e outros tantos hits do grupo. Eles não perderam a mão com passar do último quarto de século.

O show alterna um pé no passado e o outro no presente. Os raios laser que impressionavam o público em 86 se misturam a animações 3D, projetadas no palco. Grandes canções que marcaram a geração 80 se misturam às recentes e a outras do último retorno, de 2002, como Onde está o meu amor e Vida real, tema do Big Brother Brasil. O roteiro também reúne “lados B”, como Juvenília, além de homenagens a Cazuza (em Exagerado) e Renato Russo, que dividiu os vocais com Paulo Ricardo na épica regravação de A cruz e a espada, em 1996. Dois elevadores, posicionados nas laterais do palco, também impressionam e fazem de London, London um dos pontos altos do show. Paulo Ricardo continua afinadíssimo e canta, do alto, os versos que Caetano escreveu no exílio. Flores astrais, música do segundo LP do Secos & Molhados, também está de volta, com os mesmos arranjos de 86 que fizeram com que o público praticamente esquecesse da versão original, cantada por Ney Matogrosso em 1974: virou patrimônio RPM.

Considerada injustamente como a geração perdida, os hoje quarentões e cinquentões do BRock estão aí, ditando moda, mexendo com a memória afetiva de quem viveu aquele tempo e conquistando novos fãs, carentes de novos talentos musicais. E, os leitores que me perdoem, mas, neste momento, peço licença para alternar o texto da terceira para a primeira pessoa. E, tal qual eu disse semanas atrás, com o retorno do Kid Abelha, como é bom dizer: o RPM está de volta!

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