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Entrevista: Maurício Pereira

Mauricio Pereira - Foto: Rui Mendes
Foto: Rui Mendes

Um músico polivalente. Essa expressão, usada pelo próprio sujeito do verbo, identifica por inteiro um artista que, sem delongas, faz o que quer sem ser um alternativo “xarope”.
Maurício Pereira já participou de bandas e projetos que inovaram o conceito musical do Brasil. Os Mulheres Negras – formado apenas por ele e seu compadre André Abujamra – lançou dois discos e o projeto de um terceiro já está nos planos para .
Nesta entrevista, Maurício conta como é sua música e seu trabalho, que inclui comerciais de TV e trilhas sonoras. É crer para ver.

A sonoridade, as letras, a música, canção, o que for. Todo o seu trabalho é, no mínimo, incomum. Quando se fala algo desta maneira você se incomoda?

Boa pergunta. Eu busco uma certa simplicidade no meu trabalho. Temas simples, palavras simples, caminhos melódicos simples, acho eu. Talvez eu apenas junte essas coisas simples de uma maneira meio atípica. Então eu fico com a sensação de que faço um trabalho levemente incomum com os elementos mais comuns da música pop, música de rádio, aquela que todo mundo conhece.

Certa vez, em uma palestra sobre música e jornalismo, você afirmou que, cada artista, mídia ou qualquer coisa que se relacione diretamente com pessoas, deve ter o seu público alvo. Como você descobre um público específico?
Não é que eu ache que tudo deve ter seu público alvo. Eu acho que tudo tem o seu público alvo. E a gente descobre qual é esse público indo pra a estrada, prestando atenção no público, conversando com ele, se relacionando com o mercado, sentindo a opinião do público, da imprensa, da gravadora. Com o tempo, com a experiência, a gente vai sacando.
Imagino – apenas imagino – que o meu público alvo deve ser composto de gente que não deixa de curtir a música mais comercial, mas que de vez em quando quer curtir algo diferente, mais pessoal, sem ser complicado. Do que eu sinto nos shows, é um público mais urbano, mais xereta.

A linguagem é algo importante neste sentido?
A linguagem meio que é o que atrai esse ou aquele segmento, mas acho que ela acontece antes do artista ficar pensando em qual público quer atingir. A intuição é que comanda, e quem é a nossa turma, acho que isso a gente descobre com o tempo, como eu te falei.

Já existem rumores de um novo disco do Mulheres Negras. Conte-nos detalhes possíveis… um trabalho solo também logo estará saindo do forno?
Eu e o André queremos fazer, mas neste momento estamos fazendo nossos discos solo, e não está sobrando tempo pra brincar com o Mulheres. Espero que, no ano que vem, a gente consiga. Estou curioso de ver o que a gente vai produzir, anos depois. Enquanto isso, vamos tocar na Virada Cultural, aqui em São Paulo, no dia 5 de maio.
Eu estou finalizando meu CD novo, que se chama “Pra Marte”, e deve sair no segundo semestre, um disco autoral, com algumas parcerias, e tal, repertório novo em folha. Eu não gravava disco autoral desde o “Mergulhar na Surpresa”, que eu lancei em 1998. Montei uma banda legal, com os guitarristas Luizinho Waack e Tonho Penhasco (que talvez vocês conheçam por eles terem tocado com o Itamar Assumpção, Skowa, Fanzine, entre outros), mais o baixista Mano Bap e o baterista Leandro Paccagnella. Acho que vocês vão gostar, vamos ver…

Os dois discos do “Mulheres” chamam-se “Música Serve para Isso” e “Música e Ciência”. Se houver mesmo um próximo, vai ter esse mesmo jogo com a palavra música em seu título?
Olha, não sei… mas espero que tenha música boa dentro do disco…

Além de trabalhos com música-canção, você compõe para trilhas sonoras. Como é esse processo? É mais prazeroso, difícil, entediante, empolgante, etc?
Eu realmente tenho mais o costume de fazer canções, então, pra mim, fazer trilhas dá mais trabalho, é uma diversão diferente.
De um ano pra cá estou mais esperto com meus programas de gravação digital, e tenho trabalhado mais o ambiente sonoro, não apenas a melodia. Isso tá me dando uma abridinha na cabeça. Me faz pensar a trilha de um espetáculo como sendo não apenas a música, mas todo o ambiente, os ruídos, o clima sonoro da coisa, tipo, mais do que a música, o som.

Existem também trabalhos textuais e cênicos, em sites e comerciais de TV. Você consegue se definir em todas as áreas? Considera-se um multimídia?
Por sorte eu sou polivalente. Até pra poder sobreviver, né? Pra poder bancar a independência da minha música, e ainda por cima aprender alguma coisa de outras linguagens.
Logo mais devo fazer, como ator, uma série infantil sobre música, na TV Cultura, chamada “Escuta Essa”. Agora mesmo está saindo pela gravadora Atração o DVD dos Parlapatões, “Os Reis do Riso”, gravado ao vivo em São Paulo, junto com eles e a Banda Sinfônica, onde eu atuo e canto.
Tenho feito também trabalhos como jornalista na área musical: escrevo textos pro site Gafieiras (www.gafieiras.com.br), e faço a pauta, a pesquisa e as entrevistas que acompanham os shows dos DVDs lançados pelo Itaú Cultural dentro da série “Toca Brasil”, um trabalho que tem sido bárbaro: viajo pelo Brasil afora pra entrevistar músicos e produtores.

Não se encontra Maurício Pereira com tanta facilidade nas prateleiras de lojas de discos. Como então encontrar sir Pereira e seu repertório seleto e, impreterivelmente, VIP?
Nas livrarias, como FNAC, Cultura, Saraiva, da Vila. Ou nas lojas mais especializadas em coisas alternativas, que os xeretas gostam de frequentar, como a Baratos e a Pop’s, aqui em SP, ou a Modern Sound, no Rio, e outras tantas pelo Brasil afora.
E tem rádios que me tocam, não só o meu som, mas o de outros artistas independentes como eu, como a Unesp FM de Bauru, a Educativa FM de Piracicaba, a Educativa FM de Campinas, a rede USP, a Cultura AM de SP, a Cultura de Amparo.
E mais algumas pelo país. Não é muito, mas já é bastante coisa. E tem a internet, né?
Dá pra me ouvir na rádio UOL, na rádio Terra, no site da Lua Music (o selo por onde saem meus discos, anotem: www.luamusic.com.br).
E dá pra encontrar meus 3 discos (e certamente o quarto, que sai no meio do ano) no Submarino, no site da Lua, sem susto.

Finalmente, um abraço pra todos, e quem quiser entrar em contato (pelo menos enquanto eu não fico megafamoso eu respondo tudo…) pode me mandar e-mail ou entrar no meu site (que tá em obras, funciona, mas vai ter cara nova em breve).

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