Novas flores no jardim musical de Guilherme Arantes

Músico volta ao disco com “Lótus”, seu 24º álbum
Guilherme Arantes está de disco novo. Após quase cinco anos sem gravar, o cantor e compositor quebra o silêncio com um novo álbum, chamado Lótus. A exemplo de trabalhos recentes de outros colegas, o cantor e compositor segue a trilha independente do mercado fonográfico, em doze faixas que compõem o primeiro lançamento do selo Coaxo do sapo, criado por ele, e que chega às lojas com distribuição da Som Livre.

Hitmaker consagrado há três décadas, o autor de Amanhã (1978), Cheia de charme (1985) e Sob o efeito de um olhar (1991), entre outros incontáveis sucessos – Guilherme Arantes preparou esta nova safra entre 2003 e 2006, com toda a calma e sem qualquer pressão de gravadoras. O resultado é a qualidade, perceptível do início ao fim.

Abrindo o CD, Um grão de amor dá a dica do que vêm por aí: melodias envolventes e letras bem articuladas, como Disque sim, parceria com Max Viana, e Cena de cinema, um dos pontos altos do álbum. Com uma batida irresistível, esta, inclusive, volta no fim do disco em uma versão extendida: um ousado rap em tributo a grandes nomes da história mundial, perseguidos pela discriminação ou sua luta contra o preconceito racial. Na lista, nomes como Martin Luther King, Muhammed Ali, Stevie Wonder, Milton Nascimento, Tim Maia e Ray Charles, entre outros ídolos de Guilherme Arantes reverenciados ao longo da letra.

As baladas também estão de volta: Por todo canto, Blue moon pra sempre e Carta de gratidão, com Guilherme Arantes comparecendo devidamente acompanhado por seu piano Steinway, um símbolo de sua trajetória musical.

Com o amigo e compadre Nelson Motta – parceiro de Guilherme Arantes em Coisas do Brasil (1986) e Marina no ar (1987) – surgiram duas novas composições: as bossanovistas Verão de 59 (uma homenagem a João Gilberto e seu clássico LP Chega de saudade, marco da bossa nova que completa 50 anos em agosto) e Vaivem (amor de carnaval), que, entre seus versos, sintetiza bem as paixões vividas durante o período da folia: ”Você vai e vem / e eu venho e vou / Não faz mal, afinal / Carnaval é assim / ninguém é de ninguém / É um amor que vai / Outro amor que vem”.

Salvador: musa inspiradora desta nova fase

Em 2000, o coração paulista de Guilherme Arantes trocou a correria do eixo Rio-São Paulo pela tranqüilidade de Salvador. O novo estilo de vida se reflete nas obras e conquistas do músico neste novo milênio: a criação do Instituto Planeta Água, em prol da proteção do meio-ambiente, do estúdio Coaxo do Sapo e, é claro, deste Lótus.

E em Salvador, primavera e outono, Guilherme faz um passeio pela orla, indo de Campo Grande a Sauípe, passando por Itapoã, Piatã e Pituba, revelando “um sonho pra viver”: “Minha morada é Salvador / minha namorada é Salvador / a luz azulada é Salvador / fora de temporada em Salvador”.

Lótus também traz uma versão remix de Verão de 59, e a instrumental North Shore. E é, disparado, o melhor disco de Guilherme Arantes nos últimos 20 anos. Imperdível.