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O sósia do Rei: Conheça Carlos Evanney, personagem das ruas do Rio de Janeiro

Carlos Evanney em 2005, e Roberto Carlos em 1985: qualquer semelhança não é mera coincidência
Carlos Evanney em 2005, e Roberto Carlos em 1985: qualquer semelhança não é mera coincidência

Em 1967, no LP Em ritmo de aventura, Roberto Carlos gravou O sósia, canção que contava a história de um rapaz que, de tão parecido com ele, acabava lhe roubando o “broto”. O “cara que tinha a sua cara” tocava violão como ele, mas o que os diferenciava era o fato de não cantarem da mesma forma. Tudo ficção: uma louca história saída da cabeça do “Rei”.

Roberto Carlos só não esperava que, décadas depois, surgisse realmente um sósia seu, em pleno Rio de Janeiro. Seu nome é Carlos Evanney, um dos muitos personagens que povoam as ruas do centro da cidade. Já no início da entrevista, ele insiste em deixar uma coisa bem clara: “Meu nome é Carlos Evanney, senão as pessoas podem pensar que sou um Carlos qualquer. Carlos são todos, mas Carlos Evanney, só eu”.

Baiano de Maragogipe, localizada a 133 km de Salvador, Carlos Evanney faz questão de contar um pouco sobre a sua cidade: “Maragogipe é a terra do comediante Zé Trindade, e todas as pessoas que chegam até lá por terra, seja entrando ou saindo, tem que passar em frente a antiga casa dele”. Ao contrário da satisfação de falar sobre onde nasceu, Evanney se nega a revelar a idade: “ Isto eu não falo pra ninguém, Bicho. Pode perguntar que eu não conto”.

Evanney veio para o Rio de Janeiro em 1977, e gravou seu primeiro disco no ano seguinte, sempre fiel ao estilo romântico, tendo como fonte inspiradora o trabalho de Roberto Carlos, presente no seu jeito de falar, de cantar e até mesmo nas capas de seus treze discos, que ele vende em uma banca montada no Largo da Carioca, em frente ao Edifício Avenida Central.

Por diversas vezes Carlos Evanney participou de homenagens feitas a Roberto Carlos, e emocionado conta sobre seu primeiro encontro com ele. “Uma vez o Roberto mandou seus seguranças me chamarem para uma conversa, que durou uns vinte minutos. Foi a maior emoção da minha vida, Bicho. Eu já tinha mandado para ele algumas fitas minhas, mas desde o encontro que tive com ele eu não mandei mais nenhum material meu para ele ouvir, pois ele poderia pensar que estava querendo me aproveitar. Todas as vezes que estou com ele, vou exclusivamente para deixar o meu abraço, o meu carinho, mas ele sabe que eu também sou cantor, até porque eu sempre saio em revistas e toda reportagem normalmente dele, eu saio também, né, incluído na reportagem, e é claro que o Rei lê tudo isso, e é claro que com isso ele sabe da existência do fã, mas também sabe que eu sou compositor, e tenho certeza que um dia ele vai chegar pra mim e comentar qualquer coisa sobre música, entende?” – afirma Evanney, enquanto arruma os cabelos compridos, da mesma forma que seu ídolo.

Mas nem tudo é azul e branco na vida do cantor e compositor que, no momento desta entrevista, fazia o lançamento de seu novo CD, Carlos Evanney interpreta sucessos do Rei. Há quatro anos no Centro do Rio, ele passou pelas mesmas dificuldades de todo trabalhador de rua. Começou na Rua da Carioca, passou pela Rua Uruguaiana, esteve por um tempo na Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores e também na Rua Treze de Maio, em frente ao Bola Preta, sempre correndo da Guarda Municipal. “Era só eu montar a minha banca que eles vinham e mandavam tirar, por ordem da Prefeitura. Mas de tanto insistir, eu consegui, com a minha persistência, uma licença para trabalhar, e hoje estou aqui, de volta à Rua da Carioca”.

Carlos Evanney se diz frustrado com a mídia em geral, e diz que não se apresenta mais em rádio e televisão, como fez recentemente no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. “De que adianta ir lá, se eles só querem dizer que eu pareço com Roberto, mas não dão espaço pra tocar minhas músicas?” – conta. Ele diz que, a partir de agora, só quer mesmo saber de fazer shows e vender seus discos, ali, no Centro do Rio, “até que uma gravadora se interesse pelo meu trabalho e me contrate”.

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