Trilha de Caminho das Índias reúne o passado da MPB

CR Rio de Janeiro (RJ) 04/02/2009 – Caminho das índias – Foto divulgação

Trilhas sonoras de novelas. Ah! longe se vai o tempo em que elas ditavam a moda, indicavam tendências e… eram vendidas aos milhares. Este mês, chega às lojas (quer dizer, aos poucos espaços que ainda vendem CD’s) a trilha de Caminho das Índias (foto), novela de Gloria Perez.

Na seleção, um reflexo do que anda acontecendo de novo na música popular brasileira: absolutamente nada. Pra falar a verdade, o disco mais parece uma coletânea de sucessos do passado, mas que não deixa de ter bons momentos: o melhor deles é do saudoso Gonzaguinha, com sua balada Feliz, belíssima canção de 1983 que, oito anos atrás, foi regravada por Leila Pinheiro para uma outra novela global: Porto dos Milagres.

Na mesma linha estão Elis Regina (com o bolero Dois pra lá, dois pra cá), Gilberto Gil (em Vamos fugir, de 1984), Paula Toller (com Nada por mim) e Emílio Santiago, com sua leitura para Lembra de mim, de Ivan Lins, gravada em 1998. Do mesmo ano, Nana Caymmi (com Não se esqueça de mim, de Roberto & Erasmo, que já havia feito parte de outra trilha: o remake de Pecado capital). E Alma, de Zélia Duncan, que em 2001 integrou a seleção de temas da novela O Clone, também de Gloria Perez, aquela novela da heroína Jade (Giovanna Antonelli), que lembra – e muito – a história agora protagonizada por Juliana Paes.

Mas nem tudo é antiguidade na trilha, quer dizer, quase tudo: Nando Reis regravou Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, especialmente para a trama. Zé Ramalho vem com O Vento Vai Responder, versão para Blowin’ in the Wind, pinçada de seu álbum-tributo a Bob Dylan, Tá tudo mudado. De novo, novo mesmo, estão Lenine (com Martelo Bigorna), Marcelo D2 (com Ela Disse), Pitty (Memórias), Skank (Pára-Raio) e Zeca Pagodinho (em Uma Prova de Amor). Resultado: uma verdadeira colcha de retalhos, feita para agradar a gregos, troianos e indianos.

Como dizia lá no início do texto, nada de novo acontece. Será que é mais um reflexo da crise ou pura falta de criatividade? cabe ao telespectador-ouvinte decidir. Afinal, os próximos sete meses serão embalados por muitas destas músicas – além dos temas inspirados no caminho das índias que, logo logo, cairão como uma bomba. No meu, no seu, nos nossos ouvidos.