Menu Close

Moska na sopa

Não é sempre que o vemos na mídia. Tampouco o escutamos freqüentemente nas rádios, mas mesmo assim, Paulinho Moska, juntamente com Lenine, Zeca Baleiro, Chico César, entre outros, é um dos grandes nomes da chamada “nova MPB”, apesar de seus quase 20 anos de carreira. Está inserido no seleto grupo de “músicos cabeça” que fazem seu trabalho sem a pretensão do sucesso fácil e a chamada “arte comercial”. Mesmo assim, Moska é um respeitado, íntimo e abstrato artista principalmente entre os universitários de todo o Brasil. Buscando sempre a comunicação com um público maior (“…não como objetivo, mas como motivo…”), da “grande massa” resta apenas a lembrança de “O último Dia” (do disco “Pensar é Fazer Música” 1995) , música trilha da mini-novela global “O Fim do Mundo”: “Meu amor, o que você faria se só lhe restasse esse dia. Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria”. Uma letra bem mais profunda do que meros homenzinhos verdes.

Moska nasceu e mora no Rio de Janeiro até hoje. Desde garoto pôde vivenciar o cenário musical carioca assistindo diversos shows na casa noturna “Noites Cariocas”, situada no alto do Morro da Urca, onde seu pai tornou-se diretor. Uma verdadeira escola, vendo de perto a ascensão das bandas dos anos 80, como Kid Abelha, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, etc. Iniciou na música automaticamente, aprendendo violão com seu irmão e amigos músicos que passou a agrupar.

Sua primeira banda foi um trio vocal de ex-integrantes de um coral, formada em 87, chamavam-se Inimigos do Rei. Com eles, Moska passou a se apresentar em bares de todo o Rio, alimentando sua vontade de subir nos palcos que sempre teve. O grupo chegou a gravar seu trabalho em um LP, mas Moska decidiu seguir a chamada carreira-solo em 1992, lançando seu primeiro disco “Vontade”, com muita influência de Nirvana, Pearl Jam e violão folk. “Vontade” era rock da cabeça aos pés, cheio de atitude. Mas “roqueiro” era um rótulo, coisa que Moska sempre detestou.

Os próximos discos mostravam que Moska amadurecia em todos os sentidos. Sua música passou a questionar, a mostrar, mais do que apenas exigir uma afirmação falsa do real. “Pensar é fazer música”, de 95, traz uma bagagem filosófica inquestionável. Foi um momento na vida de Moska que por osmose fluiu em sua arte. “Contrasenso”, de 97, já deixava claro a união do Pop/Blues e da suavidade emepebista, além de seu próprio título ter seu significado transformado pelo autor como sendo “o contrário do senso comum, do hábito, do entendimento imediato”. “Móbile”, de 99, trás a novidade eletrônica na musicalidade de Moska e inaugura sua parceria com Suzano e Sacha, dois grandes músicos e compositores, chaves das mudanças de Moska. Dando continuidade ao “Móbile”, em 2001 Moska lança “Eu falso da minha vida o que eu quiser”, com muita eletro-pop-mpb, querendo, sintaticamente, nomear com palavras sua mistura musical.

Desde 2003, Paulinho Moska está pelo mundo, viajando com a turnê de seu disco “Tudo Novo de Novo”, inspirado em suas auto-fotografias tiradas em quartos de hotéis, a partir de objetos refletores. O próximo lançamento de Moska será um DVD do show ao vivo de “Tudo Novo de Novo”.
Moska mostra suas músicas recheadas de filosofias onde não só escutamos, mas levamos um tapa na cara, virando-a para a realidade filosófica que as letras trazem em seu nascente poético. É novo, pra quem pensa novo, tudo de novo. De novo.

Mais sopa, ops, Moska: www.paulinhomoska.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.